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CRONOLOGIA DA PRESENÇA DE POVOS AFRICANOS EM PORTUGAL

Bairro 6 de Bairro

Filme realizado pelos alunos residentes no Bairro 6 de Maio, na Amadora, que participaram no Programa “Vamos Fazer Televisão”.

CRÉDITOS

Realização: António Proença Azevedo
Ano: 2002

VÍDEOS








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Pré História

C
PRÉ HISTÓRIA
2.58M A.C. - 10 000 A.C. | PALEOLÍTICO

Out of Africa – processo de hominização e das grandes alterações climáticas; mundo dos caçadores-recoletores. Início do povoamento da região. Os principais focos de ocupação humana vinda do continente africano atingiram o auge entre c. 200 000 a.C. e c. 30 000 a.C. Out

 

Referências

  1. ALCARAZ‑CASTAÑO, M. (2021). First modern human settlement recorded in the Iberian hinterland occurred during Heinrich Stadial 2 within harsh environmental conditions, Scientific Reports 11 (1): 1-25.
  2. BEYER, R. et al. (2021). Climatic windows for human migration out of Africa in the past 300,000 years, Nature Communications. 
  3. GUNTHER T. and JAKOBSSON, M. (2016). Genes mirror migrations and cultures in prehistoric Europe — a population genomic perspective, Science Direct.
  4. IMBLER, S. (2021). A Shifting Climate Gave Humans Many Opportunities to Leave Africa, The New York Times, August 24. 
  5. LÓPEZ, S. et al. (2015). Human Dispersal Out of Africa: A Lasting Debate, e. Evolutionary Bioinformatics 11(s2): 57-68.
  6. LUSA (2013). Cientistas anunciam descoberta na África do Sul dos primeiros túmulos da préhistória, Público, 5 de junho. 
  7. JALHAY, E. (1927). El Hombre Fossil. O Archeologo Português, pp. 147-155.  
  8. TATTERSALL, I. (2009). Human origins: Out of Africa, PNAS 106 (38): 16018 –16021. 
  9. WILSHAW, A. (2018). Out of Africa hypothesis, in Wenda Trevathan (ed.), The International Encyclopedia of Biological Anthropology, pp. 1-7.
  10. VALDIOSERA, C. at al. (2018). Four millennia of Iberian biomolecular prehistory illustrate the impact of prehistoric migrations at the far end of Eurasia, PNAS 115 (13): 3428-3433.
10.300 A.C. - 5.000 A.C. | MESOLÍTICO

O Mesolítico é um período pré-histórico compreendido entre o Paleolítico e o Neolítico, tempo dos últimos caçadores-recolectores e da emergência das primeiras sociedades agro-pastoris na Europa, entre 10.300 e 5000 antes do presente (AP). Em Portugal, a ocupação mesolítica centrou-se essencialmente na zona costeira, testemunhada, até à data, pela existência de mais de 260 sítios arqueológicos (Monteiro, 2017; Straus, 2009).

As investigações sobre o Mesolítico no país foram inauguradas pela equipa do geógrafo Carlos Ribeiro, com a descoberta do complexo dos Concheiros de Muge, nomeadamente dos concheiros de Arneiro-do-Roquete e Cabeço da Arruda (1863) e, posteriormente, de Moita do Sebastião, Cabeço da Amoreira e Fonte do Padre Pedro (1884) – localizados na margem esquerda do Vale do Tejo, em Salvaterra de Magos, e datados circa 8100 e 7100 AP (Bicho et al., 2013).

 

Referências 
  1. ARAÚJO, A.C. (2012). Une histoire des premières communautés mésolithiques au Portugal. Université de Paris 1, Panthéon, Sorbonne (tese de doutoramento policopiada).
  2. BICHO, N. (2009). Sistemas de povoamento, subsistência e relações sociais dos últimos caçadores-recolectores do Tejo. Estudos Arqueológicos de Oeiras. Oeiras. 17, pp. 133–156.
  3. BICHO, N. e CARDOSO, J.L. (2018). O estudo do Paleolítico Superior e do Mesolítico em Portugal: uma perspectiva historiográfica, Estudos Arqueológicos de Oeiras 24. Oeiras: Câmara Municipal, pp. 67-9.
  4. Cucart‐Mora, C. (2022). Reconstructing Mesolithic social networks on the Iberian Peninsula using ornaments, Archaeological and Anthropological Sciences 14, pp. 1-16.

 

Concheiros (Vale do Tejo)

Locais de enterro mumificados debaixo de conchas, em formato de colina tradicionais do Oeste do continente africano. A estatura destes povos era similar à dos povos Twa (pequena estatura) da bacia do Congo.

Foi encontrado em Muge um esqueleto de um africano escravizado da idade moderna, que terá vivido entre os séculos XVII e XVIII. Denotando alguma continuidade da prática pelas comunidades africanas escravizadas a viver em Portugal nos séculos XVII e XVIII preservando os seus valores e identidade sociocultural. Procurando manter crenças e tradições específicas, uma vez que concheiros semelhantes aos de Muge são usados até aos dias de hoje na África Ocidental.

 

Referências

Contexto |
  1. ALVÁREZ, M. et al. (2010). Shell middens as archives of past environments, human dispersal and specialized resource management, Quaternary International 239: 1-7. 
  2. BICHO, N.; UMBELINO, C.; DETRY, C.; PEREIRA, T. (2010). The emergence of the Muge Mesolithic shellmiddens (central Portugal) and the 8200 cal yr BP cold event. Journal of Island and Coastal Archaeology. London. 5, pp. 86–104.
  3. CUNHA, E. e CARDOSO, F. (2001). The Osteological series from Cabeço da Amoreira (Muge, Portugal), Bulletins et Mémoires de la Société d’Anthropologie de Paris 13 (3-4).
  4. DINIZ, M. (2010). O concheiro mesolítico do Cabeço das Amoreiras (S. Romão do Sado, Alcácer do Sal): um (outro) paradigma perdido?, in Juan Gibaja e António Faustino (Eds.), Os últimos recolectores e as primeiras comunidades produtoras do Sul da Península Ibérica e do Norte de Marrocos. Faro: Promontoria Monográfica 15, pp. 49-61.
  5. Por Dentro da África (2020). Episódio#10. Concheiros da Guiné-Bissau: uma análise da paisagem arqueológica, com Bruno Pastre Máximo. Disponível em  https://www.pordentrodaafrica.com/podcast/episodio-10-concheiros-da-guine-bissau-uma-analise-da-paisagem-arqueologica-com-bruno-pastre-maximo.  
  6. FIGUEIREDO, O. (2014). As Práticas Funerárias nos Concheiros Mesolíticos de Muge. Dissertação para a obtenção do grau de Mestre em Arqueologia, Departamento de Artes e Humanidades, Universidade do Algarve.  
  7. FRANCO. J.E. e FIOLHAIS, C. (dir.) (2017). Primeiros Textos de Pré-História, História e Heráldica, Obras Primeiras da Cultura Portuguesa. Volume 2. Lisboa: Círculo de Leitores.
  8. HENRIQUES, B. (2015). A visão histórica de Mendes Corrêa (1919-1940) História. Revista da FLUP. Porto, IV Série (5): 153-165.
  9. MATOS, P.F. (2019). Racial and Social Prejudice in the Colonial Empire Issues Raised by Miscegenation in Portugal (Late Nineteenth to Mid-Twentieth Centuries), Anthropological Journal of European Cultures 28 (2): 23-44.
  10. MONTEIRO, P.A. (2017). Economia de Recolecção da Madeira para Combustível dos Últimos Caçadores-recolectores de Muge: Estudo Antracológico dos Concheiros Mesolíticos do Cabeço da Amoreira e do Cabeço da Arruda (Santarém, Portugal). Dissertação de Doutoramento em Arqueologia, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. 
  11. ROLÃO, J. (2014). Uma nova abordagem da necrópole da Moita do Sebastião, Anais Série História, vol. I. Lisboa: Universidade Autónoma de Lisboa, pp. 9-16.
  12. UMBELINO, C. e CUNHA, E. (1995-1997). Abordagem antropológica dos Concheiros Mesolíticos do Sado, O Arqueólogo Português IV (13-15): 161-179.
A História do “Homo Afer Taganus” |
  1. ABRUNHOSA, A. (2012). Mendes Corrêa e o Homo afer taganus. Trabalho apresentado em V Jornadas de Jóvenes en Investigacíon Arqueológica. Arqueología para el siglo XXI, Santiago de Compostela.
  2. ATAÍDE, A. (1940). Novos esqueletos humanos dos concheiros mesolíticos de Muge. Congresso do Mundo Português. Lisboa: Comissão Executiva dos Centenários. 1, p. 627-651.
  3. BICHO, N. et al. (2013). Os últimos caçadores-recolectores do vale do Tejo: novas perspectivas sobre os concheiros de Muge, in Joaquina Soares (ed), Pré-História das Zonas Húmidas, pp. 57-68. 
  4. CARDOSO, J.L. (2013). Carlos Ribeiro e o Reconhecimento do Solo Quaternario do Vale do Tejo: Enquadramento Geológico dos Concheiros Mesolíticos das Ribeiras de Magos e Muge, Estudos Arqueológicos de Oeiras 20, pp. 89-100. 
  5. CARDOSO, J.L. (2011). O Professor Mendes Corrêa (1888-1960) e as investigações sobre o Homo Afer Taganus dos concheiros mesolíticos de Muge. Oeiras: Câmara Municipal de Oeiras.
  6. CARDOSO, J.L. (2000). O Professor Mendes Corrêa e a Arqueologia Portuguesa. Anais Academia Portuguesa de História III (2): 229-297. 
  7. CARDOSO, J.L. e ROLÃO, J.M.(1999/2000). Prospecções e Escavações nos Concheiros Mesolíticos de Muge e de Magos (Salvaterra de Magos): Contribuição para a História dos Trabalhos Arqueológicos Efetuados, Estudos Arqueológicos de Oeiras. Oeiras: Câmara Municipal de Oeiras.
  8. CORREIA, A. A. M. (1956). Notice préliminaire sur les squelettes préhistoriques de Moita de Sebastião (Muge). Crónica IV Congreso Internacional de Ciências Prehistóricas y Protohistóricas, pp. 133-139.
  9. CORREIA, A. A. M. (1951). Avant-Propos, in J. Roche, L’industrie Préhistorique du Cabeço da Amoreira (Muge). Porto: Centro de Estudos de Etnologia Peninsular.
  10. CORREIA, A. A. M. (1941). Pré-História e Gente do Ribatejo. Separata do Boletim da Junta de Província do Ribatejo. Lisboa: Bertrand (Irmãos), Limitada. 
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  12. CORREIA, A. A. M. (1938b). Raízes de Portugal. Lisboa: Edição de “Ocidente”.
  13. CORREIA, A. A. M. (1936). A propósito do “Homo taganus”. Africanos em Portugal. Boletim da Junta Geral de Santarém 6 (43), p. 37-55.
  14. CORREIA, A. A. M. (1934). Novos elementos para a cronologia dos concheiros de Muge. Anais da Faculdade de Ciências do Porto 18.
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  16. CORREIA, A. A. M. (1928). Nouvelles Recherches sur l’Homme Tertiaire en Portugal. Actas da 3a Sessão do Instituto Internacional de Antropologia.
  17. CORREIA, A. A. M. (1926). O Homem Terciário em Portugal. Lusitânia-revista de estudos portugueses. 3 (9).
  18. CORREIA, A. A. M. (1924). Os povos primitivos da Lusitânia. Porto: Casa editora de A. Figueirinhas.
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  21. CORREIA, A. A. M. (1919b). Raça e Nacionalidade. Porto: Renascença Portuguesa.
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A História de Pessoa Escravizada da Senegâmbia |
  1. LUSA (2022). Complexo pré-histórico continha ossadas de africano da Idade Moderna. Público, 21 de Fevereiro.
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  3. PEYROTEO-STJERNA, R. (2022). Multidisciplinary investigation reveals an individual of West African origin buried in a Portuguese Mesolithic shell midden four centuries ago. Journal of Archaeological Science: Reports 42.
12.000 A.C. - 3.000 A.C | NEOLÍTICO

Idade Antiga

C
IDADE ANTIGA
3000 A.C. – c. 1800 A.C. | Calcolítico

Rede de povoados campaniformes: pequenas unidades de povoamento, de raiz familiar. Necessidade de visualização do espaço a grande distância (controle) e algum tipo de fortificação.

2000 a.C. até c. 800 a.C. | Idade do Bronze

Centralização de antigos povoados: emergência de centros de poder político-económico, em altura, dominantes sobre a paisagem e sobre outros núcleos de povoamento. Elites indígenas que serão as interlocutoras com os fenícios povo africano do norte de áfrica (chegados provavelmente ainda no séc. IX a.C., a julgar pelas datações em Almaraz).

1070 A.C. | Talinka é erguida

Bratrikus entrou pelo sul da península ibérica e ergue a sua capital em talikha, perto da sevilha atual

878 A.C. | Fenícios

Povos Fenícios de origens norte africanas anteriores ao colonialismo árabe, fundaram Cartago. Nas próximas centenas de anos vagas de comércio fenício e fenício ocidental (cartagineses) chegam a Olisipo.

750 a.C. a 138 a.C. | Olisipo
Surge o povoado, mais tarde conhecido por Olisipo (-ipo significa «lugar num alto», na língua turdula do sul peninsular), na colina do Castelo e junto à frente ribeirinha.
700 a 646 A.C. | Presença do Faraó Taharka na Península Ibérica
Presença na península Ibérica do general Kemetiano (antigo Egito) Taharka (tarraca em latim) mais tarde torna-se faraó por renúncia do seu tio. Último rei nubiano que governou o Egito. Taharqa, era filho de Piye e assumiu o trono em 690 a.C., após a morte do tio Shabaka. Notabilizou-se como guerreiro e chefe militar antes mesmo de virar faraó. Presença atual do olho egípcio protetor nos barcos de pescadores da Costa da Caparica, e dos amuletos em forma de escaravelho encontradas nas escavações arqueológicas no vale do Sado e noutros locais da Iberia.
400 A.C
218 a.C. até 201 a.C. | Guerras Púnicas

II Guerras Púnicas. Guerras Púnicas – Guerra de Roma contra os povos africanos do norte de África – Cartagineses. Presença na Ibéria de Hannibal o africano que pediu ajuda aos povos locais para lutar contra Roma com os seus elefantes couraçados.

200 A.C.
100
200
300
409 | Invasão Bárbara

Invasão do Império Romano pelos povos ditos bárbaros. Vândalos, alanos e suevos dirigem-se para a Península Ibérica.

468 | Visigodos
O último governador romano da cidade de Olisipo, Lusidius, transfere o poder para o rei suevo. A cidade terá passado para o governo dos visigodos, pouco tempo depois.
476 | Fim do Império Romano do Ocidente
Fim do Império Romano do Ocidente.
500
600
711 | Início da presença muçulmana na Península Ibérica.

Dinastias mais africanizadas eram as dos Almorávida (1086) e Almóada (1145), no meio entre as duas, assim como antes e após elas, houve reinos independentes e fracionados, as«taifas», até aos últimos dias de reinos de muçulmanos do al-Andalus em 1492;

Quer durante, quer fora dos governos «mais africanizados», os árabes (principalmente iemenitas, egípcios, sírios) ficaram maioritários, do ponto de vista numérico, se comparados aos próprios amazigh (berberes); mas há presença de berberes já na Península (nomeadamente no ocidente) já antes de haver al-Andalus (antes de 711);

Esta não foi uma invasão (ou uma ocupação), nem propriamente um convite, mas uma conquista relativamente pouco beligerante e por vezes favorecida pelas elites, às quais em alguns casos foi deixado um certo poder local. Por isso foi rápida, tendo em conta que os visigodos estavam em grande crise (económica, cultural, etc.) e os muçulmanos estavam na madrugada do apogeu da sua civilização (logo levavam consigo conhecimento, novas instituições, maiores possibilidade de riqueza, etc.); além disso, a própria instituição islâmica do dhimmah (pacto de proteção e convivência), permitia a pacífica convivência entre judeus, cristãos e muçulmanos, facilitou o espalhar-se do poder islâmico, a migração continuou ao longo de décadas.

714 | Conquista muçulmana de Olisipona
Conquista muçulmana de Olisipona. A cidade ganha novo nome, Al – Ushbuna.

Idade Média

C
Idade Média
Finais do século XI e meados do século XII
Almorávidas e almóadas povos amazigh, (berberes), Fulani e outros do norte de Africa convertidos ao islamismo, juntam-se aos muçulmanos da Península Ibérica para repelir o avanço cristão.
800
900
1000
1100
1147 | D. Afonso Henriques conquista Al-Ushbuna
Al-Ushbuna detém uma população de cerca de 12 000 habitantes. A 25 de outubro de 1147, o rei D. Afonso Henriques conquista a cidade aos mouros. Como aliados conta com cruzados, vindos do norte da Europa.
1170 | Foral aos mouros forros de Lisboa, por D. Afonso Henriques
1200
1252-1284 | Primeiras referências a população negra na Península Ibérica

De acordo com a hitoriadora Isabel Castro Henriques as primeiras referências a populações negras na Península Ibérica, em particular na Galiza estão “registadas numa memória escrita e iconográfica, intitula Cantidas de Santa Maria, a obra madada organizar por Afonso X, de Leão e Castela, entre 1252 e 1284, que regista a presença de uma mulher africana “negra como carvão”, “donzela feia”, “velosa como cão”, “velha de má côr”, mal cheirosa como “sison e alermã” (ave e planta), retratada com uma violência somática que vai perdurar durante séculos no vasto mundo ocidental” (Henriques, 2020: 59).

Referências 

CASTRO HENRIQUES, I. e DA SILVA, J.M. (2020). Os “Pretos do Sado”: História e memória de uma comunidade alentejana de origem Africana (Séculos XV-XX). Lisboa: Edições Colibri.

1300
1348 - Peste Negra
Peste Negra introduzida por via marítima e via terrestre, afetou todas as províncias do reino, causando inúmeras vítimas. Admite-se que entre 1/3 a ½ da população pereceu. Nos anos seguintes repetiram-se as pestilências embora com menor impacto. A súbita diminuição no número de habitantes causados pela doença, fome e guerra (e terramotos) traduziu-se em problemas de escassez de mão de obra, especialmente nos centros urbanos. Procuraram-se artesãos o que resultou no aumento de salário e na fuga do trabalhador rural para a cidade, onde lhe pagavam melhor.
1391 | O movimento antijudaico em Espanha
O movimento antijudaico em Espanha levou ao crescimento da comunidade hebraica em Portugal, muitos eram considerados judeus negros. Centenas de Judeus emigraram de Espanha para Portugal. Fixaram-se primeiro nas cidades mais próximas da sua entrada (litoral para os que viajaram por mar e as do interior raiano para os chegados por terra) e gradualmente foram ampliando a sua área de ocupação.
1400
1415 | Início da expansão marítima portuguesa e das guerras de conquista
Iniciou-se com a conquista de Ceuta à elite árabe colonizadora vinda da península arábica e aos povos africanos de Marrocos já colonizados pelo islão.
1441 | Chegada a Lagos do primeiro grupo de pessoas Bebere escravizadas

De acordo com o historiador Vitorino Magalhães Godinho, chegam a Portugal, em 1441, os primeiros 10 a 18 “cativos” azenegues “apresados” no litoral do Saara, raptados por Antão Gonçalves e Nuno Tristão, numa emboscada a um acampamento em Porto de Cavaleiro (Rio do Ouro), dos quais se obteria as primeiras informações dadas sobre o serão saariano, facilitando a que na viagem seguinte, em 1443, se juntassem a estes, mais 29 pessoas. Godinho refere ainda, que segundo Eanes Gomes Zurara, Tristão “era movido pelo desejo de filhar cativos em número tal que o infante começasse a tirar proveito das despesas feitas nas viagens” (1983: 155).

Referências

GODINHO, V.M. (1983). Os Descobrimentos e a Economia Mundial, Volume IV. Lisboa: Editorial Presença.

1444 | Chegada a Lagos do primeiro grande grupo de pessoas negras escravizadas

As primeiras razias à costa africana que resultaram no aprisionamento de pessoas africanas e negras começaram na década de 1440’s que, de acordo com o cronista Gomes Eanes Zurara trouxeram a Lagos, na costa algarvia, o primeiro contingente de 235 mulheres, crianças e homens africanos raptados e aprisionados na costa da Mauritânia, a 8 de agosto de 1444, testemunhada pela curiosidade de muitas pessoas que ali se juntaram (Henriques e Silva, 2020:61). É este evento que marca, em grande medida, o início do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. De facto, estima-se que entre meados de 1400s e 1761, tenham sido trazidos para Portugal cerca de 400.000 homens, mulheres e crianças (Lahon, 2004: 73-74). Entre os séculos XV e XIX estima-se que Portugal tenha sido responsável, em conjunto com o Brasil (independente desde 1822), por cerca de metade dos 12M de pessoas escravizadas no atlântico. 

Referências

CASTRO HENRIQUES, I. e DA SILVA, J.M. (2020). Os “Pretos do Sado”: História e memória de uma comunidade alentejana de origem Africana (Séculos XV-XX). Lisboa: Edições Colibri.

LAHON, D. (2004). “O escravo africano na vida económica e social portuguesa do Antigo Regime”, Africana Studia 7, pp. 73-100.

1444 | Instalação das primeiras pessoas escravizadas em Lisboa
1452 | Bula Papal "Dum Diversas"

A 18 de Junho de 1452, o Papa Nicolau V emitiu a Bula “Dum Diversas” qyue concedia à cora portuguesa o direito de capturar territórios e reduzir à condição de “escravos perpétuos” as populações não-cristãs da África Ocidental

Idade Moderna

C
Idade Moderna
1453 | Gomes Eanes de Zurara escreve "A Crónica do Descobrimento e Conquista da Guiné"

Em 1453, o cronista real Eanes Gomes de Zurara entregou em 1453, ao então rei Afonso V o manuscrito A Crónica do Descobrimento e Conquista da Guiné (ou, de acordo com a edição, Crónica dos Feitos da Guiné), um documento essencial já que testemunha, de forma coeva, a solidificação da empresa colonial portuguesa no continente africano, bem como o início da escravatura transatlântica.

 

 

 

1454 | Bula “Romanus Pontifex”

A “Romanus Pontifex” foi emitida pelo Papa Nicolau V, em 1454 e concedia à coroa portuguesa o direito de exploração da costa africana e do Atlântico, ou seja a exclusividade de navegar, comercializar e tomar possa das regiões a sul do Cabo Bojador.

1459 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM BEJA

Referências

FONSECA, J.(2020). “De Escravos a Negros livres no Sul de Portugal“. In M. D. Barros E A.P. Gato (eds.), Desigualdades – Estudos & Colóquios 21, online.

SAUNDERS, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

1461 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM SANTARÉM

Referências

SAUNDERS, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

1466 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM ÉVORA

FONSECA, J. (1997). Escravos em Évora no século XVI. Évora: Câmara Municipal de Évora.

FONSECA, J. (1996-97). “Fugas de escravos na região de Évora (Século XVII)”, A Cidade de Évora, 2ª série, nº. 2, pp. 211-228.

MAURÍCIO. D. (1977). “A Universidade de Évora e a Escravatura“, Didaskalia VII: 153-200.

SAUNDERS, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

1466 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM BRAGA

Referências

SAUNDERS, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

1466 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM ARRIFANA (AVEIRO)

Referências

SAUNDERS, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

1468 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM ALMADA

Referências

SAUNDERS, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

1469 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM ÓBIDOS

Referências

SAUNDERS, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

1475 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS NO PORTO

Referências

SAUNDERS, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

VALENÇA, M. (2003). Escravatura na região do Porto (1591-1795). Braga: Editorial Franciscana.

 

 

 

1475 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM ELVAS

Referências

SAUNDERS, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

1475 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM SETÚBAL

Referências

GORJÃO HENRIQUES, J. (2020). Detectives procuram presença de população negra em Setúbal, Público, 7 de março, https://www.publico.pt/2020/03/07/local/reportagem/detectives-procuram-presenca-populacao-negra-setubal-1906738

ROLDÃO, C. (2019). Visita à Setúbal Negra (séc. XV-XVIII): Desocultar a história local através da educação não-formal”. Medi@ções – Revista Online da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal 72: 66-85. http://mediacoes.ese.ips.pt/index.php/mediacoesonline/article/view/241/pdf.

SAUNDERS, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

1480 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM ÉVORAMONTE

Referências

SAUNDERS, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

1489 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM VALE DE ZEBRO

Referências

SAUNDERS, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

 

 

 

1492 | EXPULSÃO DOS MUÇULMANOS DE GRANADA E CHEGADA DE CRISTÓVÃO COLOMBO À ÁMERIA | A INVENÇÃO DO OCIDENTE

1492 é assinalado como o ano da queda de Granada de Muhammad XII pelos reis católicos, o ano em que Cristóvão Colombo chega à América do Norte, bem como o ano em que é assinado o Tratado de Alhambra que decreta a expulsão de todos os Judeus do Reino de Espanha (que entram em Portugal em grande número).

Segundo o antropólogo Michel-Rolph Trouillot (1995), o Ocidente foi criado no decorrer do século XVI, na sequência de um conjunto de transformações materiais e simbólicas: i) a expulsão dos muçulmanos da Península Ibérica; ii) a inauguração das viagens imperiais e do comércio colonial com a chegada de Cristóvão Colombo à América do Norte; iii) a maturação das monarquias absolutistas. Por sua vez, a europa – espelho e sinónimo de Ocidente – consolida-se pela criação de um passado greco-romano, da ocidentalização do cristianismo e do traçar de uma linha imaginária do sul de Cádis ao norte de Constantinopla – um espaço, metageográfico que delimita uma arena histórica, ideológica e política (Trouillot, 1995; Asad, 2005). Este é também o contexto que a Europa se coloca na posição de colonizadora e é inaugurada a crença de que a civilização europeia – agora, o Ocidente – possui uma “vantagem histórica” concedida por uma “qualidade” racial, cultural, ambiental, mental ou espiritual que lhe confere uma superioridade permanente face a outras comunidades humanas (Blaut, 1993). De facto, o processo de colonização e a inauguração do capitalismo enquanto novo poder global e modelo de dominação sustentou-se na classificação de pessoas a partir de critérios raciais, que edificaram e naturalizaram as diferenças entre colonizador/colonizado, construindo (novas) estruturas (e controlo) de trabalho, acesso a recursos e de produção de conhecimento (racial/eurocêntrico) (Quijano, 2000).

James Sweet, no seu artigo, “Collective Degragation: Slavery and the construction of Race”, refere o modo como a partilha europeia de uma conceção racial e cultural sobre o “outro” devolveu a conceção de um “nós” europeu, ancorada em três pilares essenciais, pós-1492: i) apesar da concorrência entre católicos e protestantes, todos eram cristãos; ii) não obstante as lutas pela soberania/sucessão fossem constantes, todos os espaços eram monarquias centralizadas; iii) conquanto instrumentalizado de formas diferentes, estava presente na europa um humanismo filosófico que parecia ter em comum um discurso relacionado com a consagração dos direitos individuais; e, de facto, é a criação de uma ideia de unidades distintas que sustenta que indivíduos são passíveis de serem escravizados (2003:4).

Se, no período pré-escravatura transatlântica o processo estava circunscrito ao espaço europeu, à escravização de pessoas Roma/ciganas, eslavas, judias e muçulmanas, baseando-se no argumento da “infidelidade religiosa”, segundo a qual poderiam ser escravizados todos os “infiéis”; com o início do tráfico transatlântico, os termos do debate alteram-se: embora se considerasse que os africanos eram “gentis” e possuíam capacidades de conversão ao cristianismo, apresentando um potencial de integração nos estados-nação emergentes, insistia-se também que devido a serem “bárbaros”, as suas capacidades de conversão eram incertas (salvo raras exceções) e que eram passíveis de ser escravizados (Idem). As bulas papais de 1452 e 1454 vêm então conferir o direito do Rei Afonso V de Portugal de escravizar todos os infiéis na África Ocidental e proclamar o direito dos europeus a conquistar e escravizar todas as populações a sul do Cabo Bojador, sob o pretexto de uma missão civilizadora (Idem:6).

As proposições racistas que justificaram a escravatura eram visíveis através da linguagem, nomeadamente no português, uma vez que os “escravos africanos” eram distinguidos dos “mouros” pelo termo “negro”, enquanto o termo “mouro negro” implicaria uma dupla “outrificação” baseada na interseção entre critérios raciais e religiosos. Na segunda metade do século XV, na Península Ibérica, o termo “negro” era equivalente a “escravo”, embora posteriormente a escravatura se tivesse alargado também às populações indígenas (Ibidem). Denote-se que esta conceção de raça operacionalizada no século XV em alguns países mediterrâneos como Portugal ou Espanha, “rapidamente viria a marcar a Europa, bem como as sociedades coloniais e imperiais, especialmente aquando da construção da soberania do estado” (Goldberg, 2009:3).

 

Referências

 

 

1493 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM TAVIRA
1496 | Édito de expulsão de judeus e mouros do reino, por D. Manuel I

Édito de expulsão de judeus e mouros do reino, por D. Manuel I. Em Lisboa, a mouraria com cerca de 5 ha, não deve ter ultrapassado as 500 almas no século XV. O número de mouros ao longo do século foi diminuindo: uns afetados por doença e peste, outros emigraram para o norte de África e para Granada, ou ainda por miscigenação, ao integrarem a sociedade cristã.

Ao contrário das comunidades mouras, as judaicas aumentaram, quer em número quer em poder económico. Maria José Ferro Tavares calculou a população hebraica em cerca de 30 000 habitantes. O índice de miscigenação era muito baixo – a rejeição partia da própria comunidade judaica e das penas para quem ousasse manter relações entre elementos das comunidades cristã e judaica. Em Lisboa, existiram três judiarias e um núcleo habitacional (extinto em 1317, na Pedreira): Judiaria Velha ou Grande, Judiaria Nova ou das Tercenas e Judiaria de Alfama.

1500 | Instalação de pessoas escravizadas em Alter do Chão

Referência

SAUNDERS, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

1507 | Instalação de pessoas escravizadas em Almeirim
1500 a 1475 | Centenas ou mesmo milhares de famílias migram para a Madeira ou Açores

Centenas ou mesmo milhares de famílias migram para a Madeira ou Açores, e nos anos seguintes migram também para outras paragens além-mar deixando registos da presença de portugueses negros por todas esses locais. Estados Unidos, Hawai entre outros.

1512 | Lisboa torna-se oficialmente o único porto de desembarque de pessoas escravizadas
1514 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM MIRANDA DO DOURO
1519 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM VILA NOVA DE PORTIMÃO
1520 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM SERPA
1520 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS NO ALVITO
1523 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM CASTELO DE VIDE
1526 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM COIMBRA
1528 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM MUGE
1529 | INÍCIO DOS REGISTOS PAROQUIAIS DE NASCIMENTO, CASAMENTO E ÓBITO
1536 a 1821 | Práticas culturais africanas foram neste período bastante perseguidas

Práticas culturais africanas foram neste período bastante perseguidas e demonizadas, com lugar a queima de pessoas nos principais locais de julgamento das vilas.

ANTERIOR A 1573 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS MA REGIÃO DO SADO

Referências

ALMEIDA, M.C. (1956). Mulatos no Concelho de Alcácer do Sal. Subsídios para a definição étnica das gentes do Vale do Sado. Lisboa: Ramos, Afonso e Moita Limitada.

BBC (2023). Descobertas arqueológicas obrigam Portugal a rever mito sobre escravidão, BBC, 27 de Setembro.

CARMO, M., SOUSA, J., VARELA, P., VENTURA, R. e BIVAR, M. (2020). “African knowledge transfer in Early Modern Portugal: Enslaved people and rice cultivation in Tagus and Sado rivers”, Diacronie. Studi di Storia Contemporanea 44 (4), pp. 44-66.

CARVALHO, A.R. (2009). Torrão do Alentejo: Arqueologia, História e Património (Volume 3) – Cronologia e Bibliografia. Alcácer do Sal: Junta de Freguesia do Torrão e Câmara Municipal de Alcácer do Sal.

CASTRO HENRIQUES, I. e SILVA, J.M. (2020). Os “Pretos do Sado”: História e memória de uma comunidade alentejana de origem Africana (Séculos XV-XX). Lisboa: Edições Colibri.

CHAÍNHO, A.G. (2019). A escrava Domingas. Grândola: Batoto Yetu Portugal.

GIACOMETTI, M., LIMA, P. (2010). Ladrão do Sado – Inquérito Musical em Alcácer do Sal, Tradisom.

GOMES, M.R.R. (2008). “A ‘Ilha dos Pretos’: análise da fecundidade e ilegitimidade na freguesia de São Romão do Sadão entre 1679-1729″, Archport, Universidade de Coimbra.

MANGO, V. (2013). “Negros de Alcácer ou Mulatos da Ribeira do Sado”, Comporta-Opina, Cultura e Lazer, Alcácer do Sal.

MENDES, V. (s.d.). “Negros do Sado”, texto policopiado, Rio de Moínhos.

NETO, M.C. (2004). “O compromisso da confraria de Nossa Senhora do Rosário de Palma (Alcácer do Sal)”, Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, Série 122ª., nº. 1-12, pp. 89-93.

NETO, M.C. (2002). “Nótula sobre a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, Freguesia de São Romão”, Memória Alentejana 5.

NETO, M.C. (2001). “A Escravatura em São Romão do Sado” in Memórias do Instituto de Malariologia de Águas de Moura – da luta anti-palúdica ao museu. Palmela: Câmara Municipal de Palmela e CEVDI- Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

NETO, M.C. (1996). “Proprietários de escravos em São Romão do Sado, 1666-1765”,  Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, Série 114, nºs. 1-12. Lisboa: Sociedade de Geografia, pp. 159-163..

NETO, M.C. (1984). “A população escrava entre 1603 e 1632 na freguesia de Santa Maria do Castelo (Alcácer do Sal) através dos livros de baptismo”, Actas do 4º Congresso do Algarve, Montechoro, pp.213-219.

RAU, V. (1984). Estudos sobre a história do sal português. Lisboa, Editorial Presença.

VASCONCELOS, J. L. (1898). “Mulatos de Alcácer do Sal”, O Archeologo Portuguez, Tomo 1, Março.

1600
1701 a 1800 - Relatos de estrangeiros descrevem os vários grupos sociais

Nos relatos de estrangeiros que visitaram Portugal descrevem-se os vários grupos sociais de modo genérico. Os de origens africanas chamavam a atenção. Circulavam nas ruas carregando até ao rio os dejetos e sujidades produzidas nas habitações, sem sanitários, ou realizando outras tarefas desprestigiantes. Resultado da miscigenação entre as camadas populares brancas e negros vindos de África ou do Brasil, pessoas mestiças também se destacam. Pessoas escravizadas ou forros partilhavam o dia-a-dia da população branca. Também os negros eram acusados de curandeirismo ou feitiçaria pela Inquisição ou cumpriam penas nas galés por
ordem dos tribunais civis.

1755, 1 de novembro | Grande Terramoto

Lisboa tinha uma população de cerca de 250 000 habitantes. A população mourisca de Lisboa migra para a zona Oeste de Portugal, denominando-se região saloia e levando o seu conhecimento e experiência no negócio e na produção de animais e do trabalho na agricultura. As suas vestes mantiveram traços distintos que incluíam frequentemente o colete e o barrete. Aos mouros dos arredores de Lisboa dava-se antigamente o nome de Caloyos ou Saloios, nome tirado do nome da reza feita cinco vezes por dia, que se chamava “cala”.

1790 | Culto ao "Santo Preto"
Todos os primeiros finais de maio ou inícios de junho, tem lugar a “Festa das Cerejas”, em Gemunde, no concelho da Maia (Área Metropolitana do Porto). O nome serviu para escapar ao escrutinío da ditadura que proibiu o culto ao “Santo Preto”, jamais reconhecido pela Igreja. Reza a lenda que, em 1790, um proprietário de Guilhabreu, possivelmente o fidalgo Gonçalo Mendes, o Lidador da Maia, terá torturado um dos homens escravizados, seu criado, até à morte, na via pública. Ora, conta-se que Gonçalo Mendes terá avançado sobre uma mulher que mandara chamar a sua casa e que esta terá fugido, entrando numa seara; perante esta recusa, o Lidador da Maia terá ordenado a um conjunto de homens escravizados que queimasse a Seara de vários ângulos para que ela dali não saísse vive. Contudo, uma dos homens recusa-se a fazê-lo, deixando-a escapar. Desautorizado o Lidador da Maia ordena a este home que cele o seu cavalo e que o acompanhe às Festas da Boa Hora, amarrando-o ao cavalo, arrastando-o e desmembrando-o pelo atrito com o chão. Os populares, assistindo ao horror, coletam as diferentes partes do seu corpo e supultam-no em Gemunde, num local que ficaria conhecido como a “Campa do Preto”. O culto ao Santo Preto ampliar-se-ia, sendo celebrado até aos dias de hoje. 
Referências
CÂMARA MUNICIPAL DA MAIA (s.d.). A Campa do Preto. Disponível em: https://www.cm-maia.pt/cultura/estorias-e-memorias/publicacoes/a-campa-do-preto
PERDIDA NA HISTÓRIA (2011). “A campa do Preto”, 18 de dezembro. Disponível em:  http://perdidanahistoria.blogspot.com/2011/12/campa-do-preto.html
REVOLUCIONÁRIOS CASTÊLO (2008). Lenda da Campa do Preto. 28 de fevereiro. Disponível em: https://revolucionariosdocastelo.blogs.sapo.pt/3934.html
SANTOS, A. (2022). Arrancam hoje as Festas Campa do Preto e Cerejas na Maia, Notícias Primeira Mão, 27 de Maio. Disponível em: https://noticiasprimeiramao.pt/arrancam-hoje-as-festas-campa-do-preto-e-cerejas-na-maia/

VIEIRA, A.B. (2023). Preto sobrevive a memória de um Na Campa do“santo” escravo que a ditadura quis apagar, Público, 31 de outubro. Disponível em: https://www.publico.pt/2023/10/31/p3/noticia/campa-preto-sobrevive-memoria-santo-escravo-ditadura-quis-apagar-2068675 

Idade Contemporânea

C
Idade Contemporânea
1798

A Idade Contemporânea é entendida como o período compreendido entre a Revolução Francesa (1789-1799) e a e atualidade. Contudo, é importante sublinhar que esta cronologia eurocêntrica da história silencia a Revolução de São Domingo (hoje, Haiti), onde, entre 1791 e 1803, os jacobinos negros se insurgiram vitoriosamente contra a escravatura e o colonialismo do Império Francês, consolidando-se como a Primeira República Negra da história.

Referências

JAMES, C.L.R. (1989). The Black Jacobins: Toussaint L’Ouverture and the San Domingo
revolution. New York: Vintage Books.

1821, 16 de fevereiro | Foi apresentado um projeto de lei autorizando judeus

Logo em 16 de fevereiro de 1821 foi apresentado um projeto de lei autorizando judeus (por vezes chamados de judeus negros) e mouros a regressar a Portugal, com todos os privilégios e direitos que a legislação medieval outrora lhes garantira. Portugal reabria-se assim ao regresso da comunidade judaica. Regresso já iniciado em finais do século XVIII. Provenientes de Gibraltar, de Marrocos e de outras regiões algumas famílias estabeleceram residência no Continente português e nas Ilhas. Várias firmas comerciais iniciaram atividade. Até 1851, centenas de indivíduos justificaram a existência de sinagogas e cemitérios próprios.

1884 | Conferência de Berlim

Conferência de Berlim e partilha da África pelas potências coloniais europeias. Conferência inicialmente idealizada por Portugal no seguimento da proposta do mapa cor-de-rosa e da anexação dos territórios pelos ingleses entre Angola e Moçambique.

1869 | Abolição da Escravatura: um longo caminho

19 de Setembro 1761 | Proibição de Introdução de Novas Pessoas Escravizadas na Metrópole 

25 de Maio 1773 | Lei do Ventre Livre

10 de Dezembro 1836 | Proibição do Tráfico de Pessoas Escravizadas em todos os Domínios do Império Português

27 de Fevereiro 1869 | Abolição da Escravatura em todos os Domínios do Império Portugês

Referências

ALEXANDRE, V. (1991). Portugal e a abolição do tráfico de escravos (1834-51), Análise Social XXVI (111), p. 293-333.

LAHON, D. (1999). O Negro no Coração do Império. Uma memória a resgatar – Séculos XV a XIX. Lisboa: Ministério da Educação. Secretariado Coordenador dos Programas de Educação Multicultural.

MARQUES, J.P. (2004). Portugal e o fim da escravidão: uma reforma em contraciclo, Africana Studia 7, pp. 137-161.

MARQUES, J.P. (2001). Uma cosmética demorada: as cortes perante o problema da escravidão (1836-1875), Análise Social XXXVI (158-159), pp. 209-247.

MARQUES, J.P. (1999). Os sons do silêncio: o Portugal de Oitocentos e a abolição do tráfico de escravos. Lisboa: Instituto de Ciências Sociais.

MENDES, A. A. (2016). “Escravidão e raça em Portugal: uma experiência de longa duração”. In Myriam Cottias et Hebe Mattos (dir.), ESCRAVIDÃO E SUBJETIVIDADES no Atlântico luso-brasileiro e francês (Séculos xvii-xx) Marselha: OpenEdition Press. 

MINISTÉRIO DA MARINHA (1889). Memória acerca da Extinção da Escravidão e do tráfico de escravatura no território português. Lisboa: Ministério da Marinha.

1896 | Chegada de Gungunhana a Lisboa

A 13 de março de 1986 chega a Lisboa Gungunhana – o “Rei de Gaza” – capturado, em Moçambique, por Mouzinho de Albuquerque, a 28 de dezembro de 1895, acompanhado por familiares e conterrâneos. Gungunhana foi objeto de imensa curiosidade por parte da população e dos media aquando da sua passagem e permanência em Lisboa, na prisão de Monsanto, até viajar para a ilha Terceira onde morreria em 1906. Contudo, a “memória dos africanos perpetuou-se na Terceira, através da descendência de Zixaxa”, um dos moçambicanos capturados e mantidos em cativeiro, mais tarde assimilidos (Enes, 2018: 24).

CRU000195 | Chegada de Gungunhana ao Arsenal de Marinha [Lisboa, 1896-03-13]

 In Enes, 2018

 In Enes, 2018

 

Referências

ENES, C. (2018). “Gungunhana nos Açores“, Álbum Terceirense. Volume IV. pp.11-26. Angra do Heroísmo : Instituto Açoriano de Cultura.

1899 | Nascimento de Mário Domingues

Referências

DOMINGUES, M. (2023). A Liberdade não se concede, conquista-se. Que a conquistem os negros! Antologia de Textos da Batalha. Lisboa: Falas Afrikanas, Letra Livre e A Batalha.

DOMINGUES, M. (1960). Menino entre Gigantes. Lisboa: Prelo.

GARCIA, J.L. (org.) (2022). A afirmação negra e a questão colonial. Textos, 1919-1928. Lisboa: Tinta da China.

GARCIA, J.L. (2017). The First Stirrings of Anti-Colonial Discourse in the Portuguese Press. In José Luís Garcia, C. Kaul, F. Subtil, A. Santos (Eds.). Media and Portuguese Empire, pp. 125-143. London: Palgrave Macmillan

ROLDÃO, C., PEREIRA, J. e VARELA, P. (2023). Tribuna Negra: Origens do Movimento Negro em Portugal 1911-1933. Lisboa: Tinta da China.

 

1890 a 1914 – Emigração portuguesa para África

A emigração portuguesa para África rondou os 2000 emigrantes anuais e raramente chegou a representar 6% do total. Nessa migração para áfrica e américa do sul estavam portugueses de origens africanas nascidos em portugal.
A grande maioria dos emigrantes – 59% dos homens e 87% das mulheres era analfabeta. Procuravam melhores condições de vida e amealhar dinheiro para constituir família; filhos de viúvas ou enjeitados, em situações desesperadas conseguiam que um padrinho lhes pagasse a passagem para o Brasil; agricultores arruinados procuravam fugir à proletarização; rapazes pobres, aspirantes a noivas de condição superior, homens ambiciosos. O fascínio do prestígio dos poucos brasileiros que regressavam ricos, compravam quintas, construíam palacetes, adquiriam comendas e distribuíam patacas pelos parentes pobres, levava os portugueses a emigrar!
Muitos negros encontravam-se em situação de semiescravatura, na primeira metade do século. Viviam sobretudo em Lisboa, Porto e Setúbal, cidades onde se empregavam em serviços domésticos. O seu número diminuía e eram substituidos por mão de obra galega m algumas regiões como o bairro do mokambo na cidade de lisboa. Serviam também como caiadores ambulantes de casas ou como picadores de touros nas arenas.

1900's | A Lisboa Africana e Negra na Viragem do Século

Segundo a historiadora Cláudia Castelo, “os estudos disponíveis […] quase não abordam o período posterior à abolição da escravatura ou fazem-no de forma insuficiente. As dinâmicas africanas no Portugal novecentista, quando aparecem, são quase sempre reduzidas às decorrentes do movimento migratório da descolonização, como se africanos e afrodescendentes tivessem estado ausentes do espaço europeu, reemergindo apenas após 1974/75 e sobretudo nas décadas de 1980 e 1990, período de crescimento e diversificação da imigração africana em Portugal (2022: 132).

Na senda do repto de Castelo, podemos encontrar no Arquivo Fotográfico de Lisboa, um conjunto de fotografias que atestam esta presença na capital do país, na viragem do século XX:

O Alfarrabista Pires [Rua Santa Maria Maior, Lisboa, 1907]

Gustavo Couto, Cónego da Sé Patriarcal de Lisboa [Largo, Santa Maria Maior, Lisboa, 1907]

Crianças e aguadeiros no chafariz d’ El Rei [Lisboa, 1907-03] 

1904 | Primeiro Grémio de Africanos em Lisbo

 

Referências e Fontes

ARQUIVO FOTOGRÁFICO DE LISBOA. 

CASTELO, C. (2022). Africans and Afrodescendants in the Portuguese metropole (twentieth century): a return to the “imperial archive”. Portuguese Literary and Cultural Studies 34-35 (2022): 131-150.

ROLDÃO, C., PEREIRA, J. e VARELA, P. (2023). Tribuna Negra: Origens do Movimento Negro em Portugal 1911-1933. Lisboa: Tinta da China.

1910's | A Lisboa Africana e Negra: a política como quotidiano

1910 | Comissão Permanente dos Filhos de São Tomé e Príncipe

1911 | Associação dos Estudantes Negros

1911 | Lançamento do Jornal O Negro

1912 | Junta de Defesa dos Direitos de África

1912-1913 (e depois 1927-1930) | Jornal A Voz de África 

1913 (e depois 1931-1932) | Jornal Tribuna d’África 

1914-15 | Jornal O Eco D’África

1915 | Jornal Portugal Novo 

1916-1918 | Jornal A Nova Patria

1919 | Fundação do Jornal A Batalha

Referências

ROLDÃO, C., PEREIRA, J. e VARELA, P. (2023). Tribuna Negra: Origens do Movimento Negro em Portugal 1911-1933. Lisboa: Tinta da China.

1920´s

1920 (a 1924) | Liga Africana

1921 | Jornal O Protesto Indígena 

1921-1923 e 1924 | Correio de África

1923 | Congresso Pan-Africano Lisboa

1929 | Liga das Mulheres Africanas

1929 | Grémio dos Africanos

1929 | Ké-Aflicana

 

 

Referências

ROLDÃO, C., PEREIRA, J. e VARELA, P (2023). Tribuna Negra: Origens do Movimento Negro em Portugal 1911-1933. Lisboa: Tinta da China.

1930's

1930-1932 | Jornal A Mocidade Africana

1931 (e 1932-1933) | Jornal Africa

1931 (a 1933) |Jornal Movimento Nacionalista Africano

1932 | Jornal Africa Magazzine 

1932 | Jornal Hoje 

 

Referências

ROLDÃO, C., PEREIRA, J. e VARELA, P. (2023). Tribuna Negra: Origens do Movimento Negro em Portugal 1911-1933. Lisboa: Tinta da China.

1939 a 1945 – II Guerra Mundial

Lisboa foi porta de saída da Europa em guerra. Aqui se estabeleceram pessoas de muitas nacionalidades como britânicos ou alemães e procuraram obter visto de viagem muitos judeus.

1940's

1940 | Publicação do Livro Mouros, Judeus e Negros na Historia de Portugal, de J. A. Pires de Lima

1940 | Publicação da Comunicação apresentada no Congresso Nacional de Ciências da População, “A Influência dos Mouros, Judeus e Negros na Etnografia Portuguesa”

 

1944 – Criação da Casa de Estudantes do Império (CEI)

1960 a 1970 – Vaga de emigração portuguesa

Vaga de emigração portuguesa, motivada pela crise do setor agrícola, a incapacidade de os setores económicos absorverem a população rural que abandonava os campos, a repressão política pela ditadura e a fuga à guerra colonial. Vinda de migrantes ou refugiados das ex-colónias africanas.

1974 | 25 de abril

Revolução dos Cravos iniciada pelos dirigente africanos que pretendiam a independência dos países ainda sob jugo colonial. A própria mensagem/musica de inicio da revolução em Portugal dá-se na zona do país com maior espirito revolucionário e de luta contra a exploração laboral ou escrava da região de forte presença africana que é o vale do sado, e mais especificamente a cidade de Grândola que é morena na canção pela sua forte presença ancestral africana. Apogeu nos 10 anos seguintes das migrações africanas em grande número para Portugal.

 

Alfredo Cunha, Revolução de 25 de Abril de 1974 [Lisboa, 1974-04-25]

Alfredo Cunha, Revolução de 25 de Abril de 1974 [Lisboa, 1974-04-25]

FONTES E REFRÊNCIAS 

ARQUIVO FOTOGRÁFICO DE LISBOA.

1975 | Refugiados das guerras coloniais, migrações económicas
1980's

1987.02.17 | Criação da Associação Guineense de Solidariedade Social

1988 | Edição do Livro “Os Negros em Portugal: Um passado Silencioso”, de José Ramos Tinhorão

José Ramos Tinhorão, publicou, em 1998, Os Negros em Portugal: Uma Presença Silenciosa, um livro que se demora na contextualização histórico-política do papel de Portugal na inauguração da escravatura transatlântica e no mapeamento da presença negra no país, desde os finais do século XV aos finais do século XVI. O trabalho de Tinhorão é, por isso mesmo, basilar para compreender a extensão o número dessa presença nas mais diversas latitudes do país olhando tanto para a vida social das pessoas escravizadas através do trabalho, do território, da religiosidade, da política e das artes performativas, como também a estratégia política e as narrativas por parte das classes brancas dominantes através do uso da diplomacia, da promulgação de legislação e da elaboração de narrativas literárias, teatrais ou linguísticas que responsáveis pela ridicularização, desumanização e subalternização das pessoas escravizadas. Importante, ao longo do livro, o autor nomeia um conjunto de pessoas negras relevantes para a história do país, mostrando como esta presença duradoura influenciou a língua, as artes e a cultura de um modo geral, já que a partir de determinada altura as pessoas negras estavam perfeitamente integradas na malha social da cidade de lisboa, coabitando e relacionando-se com a classe baixa branca portuguesa, em bairros como Alfama, Mouraria ou Madragoa – e, como tal, com eles coproduzindo vida urbana.

1990's

1990 | Fundação do Movimento SOS Rascismo

1991 – 1995 | Fernando Gomes Ka foi deputado do Partido Socialista na VI Legislatura

1993 | É promulgado o Programa Especial de Realojamento (PER)

1995 | Assasinato de Alcindo Monteiro

1996 | É criada a Associação Batoto Yetu Portugal

1996 | Processo de regularização extraordinária de Imigrantes

1996 | Rapper Djoek lança Nada Mí N’Caten, o primeiro albúm cantado em cabo-verdiano crioulo em Portugal

1999 | Criação da Rede Anti-Racista

2000's

2001 | Cimeira de Sevilha

2004 | Cimeira de Haia e Criação da Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira

2007 | Cimeira Europa-África de Lisboa

2010's

2013.10.03 | Tragédia de Lampedusa

2014 | Criação da Rádio AFROLIS

2015.02.05 | Seis jovens do bairro da Cova da Moura (Amadora) são sequestrados, torturados e racialmente insultados no interior da esquadra de Alfragide (Amadora)

2016.03.21 | Fundação da FEMAFRO – Associação de Mulheres Negras, Africanas e Afrodescendentes em Portugal

2017.07.11 | Dezoito polícias são acusados pelo ministério público de crimes de tortura e injúria motivados por ódio racial, entre outros

2018 | Criação do Instituto da Mulher Negra em Portugal (IMUNE)

2019.09 | Criação do Projeto Afrolink [https://afrolink.pt/sobre/] 

2019 | Início do Programa Cidade Invisível – Antena 1 [https://www.rtp.pt/play/p6377/e438280/cidade-invisivel]

2019 | Criação do Podcast “O Lado Negro da Força” [https://www.facebook.com/oladonegrodaforca2019/videos]

2019 | Exposição “Para uma história do Movimento Negro em Portugal. 1911-1933”, por Cristina Roldão, José Augusto Pereira e Pedro Varela, Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal (ESE-IPS)

2020's

2020.12.10 | Estreia do Podcast do “Viemos para Ficar” (SOS Racismo) [https://www.sosracismo.pt/geral/viemos-para-ficar-podcast-anti-racista]

2021 | Reedição do Jornal O Negro, pela editora Falas Afrikanas