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CRONOLOGIA DA PRESENÇA DE POVOS AFRICANOS EM PORTUGAL

Mulheres escravas em Portugal: resistências quotidianas e representações na arte

  • Mulheres escravas em Portugal: resistências quotidianas e representações na arteEm Portugal a Questão Agrária e o eterno problema do abastecimento alimentar ocupou os governantes e os principais teóricos ao longo dos séculos. As causas da deficiente autossuficiência foram tradicionalmente atribuídas à falta de mão de obra. Desde as Leis das Sesmarias no século XIV que se tentou a fixação das populações em meios rurais para aumentar a produção agrícola. Em 1655 o Padre Manuel Severim de Faria descreveu as causas da falta de população do Alentejo e argumentou sobre a necessidade do uso de mão de obra escrava. Este foi um dos motivos para a importação de escravos africanos para os territórios agrícolas, aliado à resistência física à malária que dizimava os trabalhadores nos campos de cultivo de arroz. A anemia falciforme que predomina nas populações da África Subsaariana torna este grupo particularmente resistente à doença. O que foi verificado empiricamente no século XVI veio a comprovar-se cientificamente no século XX, ao mesmo tempo que as fontes históricas sobre a maior prevalência de escravos africanos nos arrozais foram confirmadas por estudos e mapeamentos genéticos recentes.
  • Mas o uso de escravos não se limitou aos trabalhos rurais. Lisboa e algumas cidades do Alentejo chegaram a ter mais de 10% da sua população do século XVI na condição de escravo, ocupados em trabalhos domésticos, artesanais e de comércio. Muitos pertenceram a confrarias, uma forma de associativismo que contribuiu para a libertação de outros escravos e para a organização de cerimónias religiosas e de sociabilidade.
  • Analisa-se assim a escravatura em Portugal nos séculos XVI e seguintes: motivações, caraterísticas, descrição e questão do género, debruçando-se sobre bibliografia especializada, particularmente as obras de José Leite de Vasconcelos (1933), Albert Silbert (1966) e Álvaro Ferreira da Silva (1993), incluídos em temas mais vastos, e em estudos específicos de José Ramos Tinhorão (1988), João Pedro Marques (1999), Arlindo Caldeira (2017), Maria do Rosário Pimentel (1995) e Jorge Fonseca (1996, 1997, 2016). Este último apresenta-nos estatísticas importantes para o sul do país: Montemor-o-Novo, Évora, Vila Viçosa e Faro.
  • As necessidades específicas ligadas ao trabalho doméstico são aqui descritas, particularmente no que diz respeito às funções desempenhadas pelas mulheres como criadas de servir, cozinheiras e vendedeiras. As histórias de vida destas escravas são de difícil acesso para o historiador, mas podem ser abordadas a partir de algumas fontes, como as artísticas, em especial a pintura e a azulejaria. Existe um património disperso por museus, antigos conventos, hospitais e casas particulares que nos surpreende com representações do quotidiano de africanas e africanos em trabalhos domésticos e como criados de fora.
  • Sobre a conflituosidade, Arlindo Caldeira investigou os processos nos tribunais da Inquisição, especialmente por queixas de maus tratos e tentativas de fuga, o que nos dá um retrato com um grau elevado de pormenor sobre formas de resistência.
  • O conjunto destas fontes permite-nos concluir que a prática da cozinha, do artesanato e do comércio por parte destes escravos lhes permitia a compra da alforria e a conquista da liberdade. Até ao século XX esta população foi quase completamente absorvida pelos outros grupos étnicos, restando muito poucos vestígios da sua presença, que foram estudos pelo etnógrafo José Leite de Vasconcelos na zona do Sado (1920).

DOCUMENTOS DE SUPORTE

FONTE

− Censos da População de Portugal, INE, 1911, 1930, 1940, 1960,.
− Estatísticas Agrícolas e Alimentares, INE, 1968, 1975, 1979.

REGISTOS LOCAIS:
Arquivo da Câmara Municipal de Avis:
− Santa Casa da Misericórdia: Livros de Admissão de Doentes ao Hospital, 1847-1956.
− Livros de Décimas, Avis e seu termo, 1690-1836.
− Livros do recenseamento eleitoral, 1836-1960.

Arquivo da Câmara Municipal de Arraiolos:
− Impostos:

• Sisas, Décima e 4,5%, 1643-1842;
• Imposto dos criados e bestas, 1804-1834; o Contribuição Municipal.

Arquivo da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo:
− Livros da Décima militar, 1699-1701.
− Recenseamento eleitoral, 1834-1958.

Arquivo Distrital de Portalegre:
− Registos Paroquiais do concelho de Avis, 1567-1895.

Arquivos privados de casas agrícolas:
− Casa do Barão de Almeirim, arquivo depositado no ICS, UL, Livro de Registo de Criados de Lavoira, 1918-1932.
− Lavoura de José Maria dos Santos, Documentos de Despesa da Lavoura da Palma, arquivo depositado no ICS, UL, 1872-1910.[/et_pb_text]

CRÉDITOS

Maria Antónia Pires de Almeida
Investigadora do CIES-IUL
Professora Auxiliar Convidada do ISCTE-IUL








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A diversidade é uma marca identitária da sociedade portuguesa. Não é de hoje nem se confina aos fluxos migratórios significativos para o Portugal dos finais do século XX, especialmente vindos de países africanos. Mas a “desvalorização da humanidade dos...

Pré História

C
PRÉ HISTÓRIA
2.58M A.C. - 10 000 A.C. | PALEOLÍTICO

Out of Africa – processo de hominização e das grandes alterações climáticas; mundo dos caçadores-recoletores. Início do povoamento da região. Os principais focos de ocupação humana vinda do continente africano atingiram o auge entre c. 200 000 a.C. e c. 30 000 a.C. Out

 

Referências

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  2. BEYER, R. et al. (2021). Climatic windows for human migration out of Africa in the past 300,000 years, Nature Communications. 
  3. GUNTHER T. and JAKOBSSON, M. (2016). Genes mirror migrations and cultures in prehistoric Europe — a population genomic perspective, Science Direct.
  4. IMBLER, S. (2021). A Shifting Climate Gave Humans Many Opportunities to Leave Africa, The New York Times, August 24. 
  5. LÓPEZ, S. et al. (2015). Human Dispersal Out of Africa: A Lasting Debate, e. Evolutionary Bioinformatics 11(s2): 57-68.
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  10. VALDIOSERA, C. at al. (2018). Four millennia of Iberian biomolecular prehistory illustrate the impact of prehistoric migrations at the far end of Eurasia, PNAS 115 (13): 3428-3433.
10.300 A.C. - 5.000 A.C. | MESOLÍTICO

O Mesolítico é um período pré-histórico compreendido entre o Paleolítico e o Neolítico, tempo dos últimos caçadores-recolectores e da emergência das primeiras sociedades agro-pastoris na Europa, entre 10.300 e 5000 antes do presente (AP). Em Portugal, a ocupação mesolítica centrou-se essencialmente na zona costeira, testemunhada, até à data, pela existência de mais de 260 sítios arqueológicos (Monteiro, 2017; Straus, 2009).

As investigações sobre o Mesolítico no país foram inauguradas pela equipa do geógrafo Carlos Ribeiro, com a descoberta do complexo dos Concheiros de Muge, nomeadamente dos concheiros de Arneiro-do-Roquete e Cabeço da Arruda (1863) e, posteriormente, de Moita do Sebastião, Cabeço da Amoreira e Fonte do Padre Pedro (1884) – localizados na margem esquerda do Vale do Tejo, em Salvaterra de Magos, e datados circa 8100 e 7100 AP (Bicho et al., 2013).

 

Referências 
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  4. Cucart‐Mora, C. (2022). Reconstructing Mesolithic social networks on the Iberian Peninsula using ornaments, Archaeological and Anthropological Sciences 14, pp. 1-16.

 

Concheiros (Vale do Tejo)

Locais de enterro mumificados debaixo de conchas, em formato de colina tradicionais do Oeste do continente africano. A estatura destes povos era similar à dos povos Twa (pequena estatura) da bacia do Congo.

Foi encontrado em Muge um esqueleto de um africano escravizado da idade moderna, que terá vivido entre os séculos XVII e XVIII. Denotando alguma continuidade da prática pelas comunidades africanas escravizadas a viver em Portugal nos séculos XVII e XVIII preservando os seus valores e identidade sociocultural. Procurando manter crenças e tradições específicas, uma vez que concheiros semelhantes aos de Muge são usados até aos dias de hoje na África Ocidental.

 

Referências

Contexto |
  1. ALVÁREZ, M. et al. (2010). Shell middens as archives of past environments, human dispersal and specialized resource management, Quaternary International 239: 1-7. 
  2. BICHO, N.; UMBELINO, C.; DETRY, C.; PEREIRA, T. (2010). The emergence of the Muge Mesolithic shellmiddens (central Portugal) and the 8200 cal yr BP cold event. Journal of Island and Coastal Archaeology. London. 5, pp. 86–104.
  3. CUNHA, E. e CARDOSO, F. (2001). The Osteological series from Cabeço da Amoreira (Muge, Portugal), Bulletins et Mémoires de la Société d’Anthropologie de Paris 13 (3-4).
  4. DINIZ, M. (2010). O concheiro mesolítico do Cabeço das Amoreiras (S. Romão do Sado, Alcácer do Sal): um (outro) paradigma perdido?, in Juan Gibaja e António Faustino (Eds.), Os últimos recolectores e as primeiras comunidades produtoras do Sul da Península Ibérica e do Norte de Marrocos. Faro: Promontoria Monográfica 15, pp. 49-61.
  5. Por Dentro da África (2020). Episódio#10. Concheiros da Guiné-Bissau: uma análise da paisagem arqueológica, com Bruno Pastre Máximo. Disponível em  https://www.pordentrodaafrica.com/podcast/episodio-10-concheiros-da-guine-bissau-uma-analise-da-paisagem-arqueologica-com-bruno-pastre-maximo.  
  6. FIGUEIREDO, O. (2014). As Práticas Funerárias nos Concheiros Mesolíticos de Muge. Dissertação para a obtenção do grau de Mestre em Arqueologia, Departamento de Artes e Humanidades, Universidade do Algarve.  
  7. FRANCO. J.E. e FIOLHAIS, C. (dir.) (2017). Primeiros Textos de Pré-História, História e Heráldica, Obras Primeiras da Cultura Portuguesa. Volume 2. Lisboa: Círculo de Leitores.
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  9. MATOS, P.F. (2019). Racial and Social Prejudice in the Colonial Empire Issues Raised by Miscegenation in Portugal (Late Nineteenth to Mid-Twentieth Centuries), Anthropological Journal of European Cultures 28 (2): 23-44.
  10. MONTEIRO, P.A. (2017). Economia de Recolecção da Madeira para Combustível dos Últimos Caçadores-recolectores de Muge: Estudo Antracológico dos Concheiros Mesolíticos do Cabeço da Amoreira e do Cabeço da Arruda (Santarém, Portugal). Dissertação de Doutoramento em Arqueologia, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. 
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A História do “Homo Afer Taganus” |
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A História de Pessoa Escravizada da Senegâmbia |
  1. LUSA (2022). Complexo pré-histórico continha ossadas de africano da Idade Moderna. Público, 21 de Fevereiro.
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  3. PEYROTEO-STJERNA, R. (2022). Multidisciplinary investigation reveals an individual of West African origin buried in a Portuguese Mesolithic shell midden four centuries ago. Journal of Archaeological Science: Reports 42.
12.000 A.C. - 3.000 A.C | NEOLÍTICO

Idade Antiga

C
IDADE ANTIGA
3000 A.C. – c. 1800 A.C. | Calcolítico

Rede de povoados campaniformes: pequenas unidades de povoamento, de raiz familiar. Necessidade de visualização do espaço a grande distância (controle) e algum tipo de fortificação.

2000 a.C. até c. 800 a.C. | Idade do Bronze

Centralização de antigos povoados: emergência de centros de poder político-económico, em altura, dominantes sobre a paisagem e sobre outros núcleos de povoamento. Elites indígenas que serão as interlocutoras com os fenícios povo africano do norte de áfrica (chegados provavelmente ainda no séc. IX a.C., a julgar pelas datações em Almaraz).

1070 A.C. | Talinka é erguida

Bratrikus entrou pelo sul da península ibérica e ergue a sua capital em talikha, perto da sevilha atual

878 A.C. | Fenícios

Povos Fenícios de origens norte africanas anteriores ao colonialismo árabe, fundaram Cartago. Nas próximas centenas de anos vagas de comércio fenício e fenício ocidental (cartagineses) chegam a Olisipo.

750 a.C. a 138 a.C. | Olisipo
Surge o povoado, mais tarde conhecido por Olisipo (-ipo significa «lugar num alto», na língua turdula do sul peninsular), na colina do Castelo e junto à frente ribeirinha.
700 a 646 A.C. | Presença do Faraó Taharka na Península Ibérica
Presença na península Ibérica do general Kemetiano (antigo Egito) Taharka (tarraca em latim) mais tarde torna-se faraó por renúncia do seu tio. Último rei nubiano que governou o Egito. Taharqa, era filho de Piye e assumiu o trono em 690 a.C., após a morte do tio Shabaka. Notabilizou-se como guerreiro e chefe militar antes mesmo de virar faraó. Presença atual do olho egípcio protetor nos barcos de pescadores da Costa da Caparica, e dos amuletos em forma de escaravelho encontradas nas escavações arqueológicas no vale do Sado e noutros locais da Iberia.
400 A.C
218 a.C. até 201 a.C. | Guerras Púnicas

II Guerras Púnicas. Guerras Púnicas – Guerra de Roma contra os povos africanos do norte de África – Cartagineses. Presença na Ibéria de Hannibal o africano que pediu ajuda aos povos locais para lutar contra Roma com os seus elefantes couraçados.

200 A.C.
100
200
300
409 | Invasão Bárbara

Invasão do Império Romano pelos povos ditos bárbaros. Vândalos, alanos e suevos dirigem-se para a Península Ibérica.

468 | Visigodos
O último governador romano da cidade de Olisipo, Lusidius, transfere o poder para o rei suevo. A cidade terá passado para o governo dos visigodos, pouco tempo depois.
476 | Fim do Império Romano do Ocidente
Fim do Império Romano do Ocidente.
500
600
711 | Início da presença muçulmana na Península Ibérica.

Dinastias mais africanizadas eram as dos Almorávida (1086) e Almóada (1145), no meio entre as duas, assim como antes e após elas, houve reinos independentes e fracionados, as«taifas», até aos últimos dias de reinos de muçulmanos do al-Andalus em 1492;

Quer durante, quer fora dos governos «mais africanizados», os árabes (principalmente iemenitas, egípcios, sírios) ficaram maioritários, do ponto de vista numérico, se comparados aos próprios amazigh (berberes); mas há presença de berberes já na Península (nomeadamente no ocidente) já antes de haver al-Andalus (antes de 711);

Esta não foi uma invasão (ou uma ocupação), nem propriamente um convite, mas uma conquista relativamente pouco beligerante e por vezes favorecida pelas elites, às quais em alguns casos foi deixado um certo poder local. Por isso foi rápida, tendo em conta que os visigodos estavam em grande crise (económica, cultural, etc.) e os muçulmanos estavam na madrugada do apogeu da sua civilização (logo levavam consigo conhecimento, novas instituições, maiores possibilidade de riqueza, etc.); além disso, a própria instituição islâmica do dhimmah (pacto de proteção e convivência), permitia a pacífica convivência entre judeus, cristãos e muçulmanos, facilitou o espalhar-se do poder islâmico, a migração continuou ao longo de décadas.

714 | Conquista muçulmana de Olisipona
Conquista muçulmana de Olisipona. A cidade ganha novo nome, Al – Ushbuna.

Idade Média

C
Idade Média
Finais do século XI e meados do século XII
Almorávidas e almóadas povos amazigh, (berberes), Fulani e outros do norte de Africa convertidos ao islamismo, juntam-se aos muçulmanos da Península Ibérica para repelir o avanço cristão.
800
900
1000
1100
1147 | D. Afonso Henriques conquista Al-Ushbuna
Al-Ushbuna detém uma população de cerca de 12 000 habitantes. A 25 de outubro de 1147, o rei D. Afonso Henriques conquista a cidade aos mouros. Como aliados conta com cruzados, vindos do norte da Europa.
1170 | Foral aos mouros forros de Lisboa, por D. Afonso Henriques
1200
1300
1348 - Peste Negra
Peste Negra introduzida por via marítima e via terrestre, afetou todas as províncias do reino, causando inúmeras vítimas. Admite-se que entre 1/3 a ½ da população pereceu. Nos anos seguintes repetiram-se as pestilências embora com menor impacto. A súbita diminuição no número de habitantes causados pela doença, fome e guerra (e terramotos) traduziu-se em problemas de escassez de mão de obra, especialmente nos centros urbanos. Procuraram-se artesãos o que resultou no aumento de salário e na fuga do trabalhador rural para a cidade, onde lhe pagavam melhor.
1391 | O movimento antijudaico em Espanha
O movimento antijudaico em Espanha levou ao crescimento da comunidade hebraica em Portugal, muitos eram considerados judeus negros. Centenas de Judeus emigraram de Espanha para Portugal. Fixaram-se primeiro nas cidades mais próximas da sua entrada (litoral para os que viajaram por mar e as do interior raiano para os chegados por terra) e gradualmente foram ampliando a sua área de ocupação.
1400
1415 | Início da expansão marítima portuguesa e das guerras de conquista
Iniciou-se com a conquista de Ceuta à elite árabe colonizadora vinda da península arábica e aos povos africanos de Marrocos já colonizados pelo islão.
1441 | Antão Gonçalves traz os primeiros povos africanos escravizados para Portugal

Antão Gonçalves traz os primeiros povos africanos escravizados para Portugal, da costa norte da Mauritânia. Três anos mais tarde, um grupo de algarvios associado numa espécie de companhia temporária armou seis caravelas e alcançou a costa da Mauritânia e regressou com 235 pessoas escravizadas.

A maioria destas pessoas escravizadas seriam povos amazigh do norte de áfrica (berberes), mas também povos do oeste de áfrica e do oriente europeu povos eslavos (brancos escravizados que deram origem ao termo slave – escravo durante o domínio otomano na região do leste da europa) – os navios negreiros dos muçulmanos juntavam pessoas de várias origens. A escassez de mão de obra terá levado à intensificação do corso e pirataria, e ao aproveitamento de pessoas escravizadas para trabalhos rurais. A redescoberta das Canárias trouxe um novo mercado de aprovisionamento. No Tratado de Alcáçovas, Portugal reconheceu a soberania castelhana das ilhas, abandonando qualquer pretensão no Tratado de Toledo, a 6 de março de 1480. Os povos africanos que habitavam as ilhas (guanches canarinhos) foram conhecidos em Portugal, apesar de não termos números de escravizados. Com a chegada às costas da Guiné (1441) o mercado alargou-se e especializou-se. A grande maioria destas pessoas escravizadas eram vendidas para Castela, Aragão e outros reinos europeus. Só uma parte permanecia nas plantações de açúcar e em outros serviços agrícolas e domésticos da Madeira e Portugal. Até 1475, milhares de pessoas escravizadas entraram e permaneceram em Portugal.

Idade Moderna

C
Idade Moderna
1492 | Decreto de Alhambra

Entrada em Portugal de judeus castelhanos em grande número. Após o decreto de Alhambra, depois da conquista de Granada ao último Califa de Granada de nome Boabdil.

Após este período o número de pessoas escravizadas dos reinos da Senegâmbia, Congo, Benin, entre outros povos do continente africano. Desde esta presença forçada (até aos finais do século XVIII) ou depois “pela força” (do colonialismo do fim de Oitocentos a 1974, e da globalização e migrações dos nossos dias), foram vários os povos africanos que se foram instalando na cidade de Lisboa.

1496 | Édito de expulsão de judeus e mouros do reino, por D. Manuel I

Édito de expulsão de judeus e mouros do reino, por D. Manuel I. Em Lisboa, a mouraria com cerca de 5 ha, não deve ter ultrapassado as 500 almas no século XV. O número de mouros ao longo do século foi diminuindo: uns afetados por doença e peste, outros emigraram para o norte de África e para Granada, ou ainda por miscigenação, ao integrarem a sociedade cristã.

Ao contrário das comunidades mouras, as judaicas aumentaram, quer em número quer em poder económico. Maria José Ferro Tavares calculou a população hebraica em cerca de 30 000 habitantes. O índice de miscigenação era muito baixo – a rejeição partia da própria comunidade judaica e das penas para quem ousasse manter relações entre elementos das comunidades cristã e judaica. Em Lisboa, existiram três judiarias e um núcleo habitacional (extinto em 1317, na Pedreira): Judiaria Velha ou Grande, Judiaria Nova ou das Tercenas e Judiaria de Alfama.

1500 a 1475 | Centenas ou mesmo milhares de famílias migram para a Madeira ou Açores

Centenas ou mesmo milhares de famílias migram para a Madeira ou Açores, e nos anos seguintes migram também para outras paragens além-mar deixando registos da presença de portugueses negros por todas esses locais. Estados Unidos, Hawai entre outros.

1536 a 1821 | Práticas culturais africanas foram neste período bastante perseguidas

Práticas culturais africanas foram neste período bastante perseguidas e demonizadas, com lugar a queima de pessoas nos principais locais de julgamento das vilas.

1600
1600
1701 a 1800 - Relatos de estrangeiros descrevem os vários grupos sociais

Nos relatos de estrangeiros que visitaram Portugal descrevem-se os vários grupos sociais de modo genérico. Os de origens africanas chamavam a atenção. Circulavam nas ruas carregando até ao rio os dejetos e sujidades produzidas nas habitações, sem sanitários, ou realizando outras tarefas desprestigiantes. Resultado da miscigenação entre as camadas populares brancas e negros vindos de África ou do Brasil, pessoas mestiças também se destacam. Pessoas escravizadas ou forros partilhavam o dia-a-dia da população branca. Também os negros eram acusados de curandeirismo ou feitiçaria pela Inquisição ou cumpriam penas nas galés por
ordem dos tribunais civis.

1755, 1 de novembro | Grande Terramoto

Lisboa tinha uma população de cerca de 250 000 habitantes. A população mourisca de Lisboa migra para a zona Oeste de Portugal, denominando-se região saloia e levando o seu conhecimento e experiência no negócio e na produção de animais e do trabalho na agricultura. As suas vestes mantiveram traços distintos que incluíam frequentemente o colete e o barrete. Aos mouros dos arredores de Lisboa dava-se antigamente o nome de Caloyos ou Saloios, nome tirado do nome da reza feita cinco vezes por dia, que se chamava “cala”.

Idade Contemporânea

C
Idade Contemporânea
1800
1821, 16 de fevereiro | Foi apresentado um projeto de lei autorizando judeus

Logo em 16 de fevereiro de 1821 foi apresentado um projeto de lei autorizando judeus (por vezes chamados de judeus negros) e mouros a regressar a Portugal, com todos os privilégios e direitos que a legislação medieval outrora lhes garantira. Portugal reabria-se assim ao regresso da comunidade judaica. Regresso já iniciado em finais do século XVIII. Provenientes de Gibraltar, de Marrocos e de outras regiões algumas famílias estabeleceram residência no Continente português e nas Ilhas. Várias firmas comerciais iniciaram atividade. Até 1851, centenas de indivíduos justificaram a existência de sinagogas e cemitérios próprios.

1836 | Abolição escravatura de pessoas africanas na metrópole

Abolição escravatura de pessoas africanas na metrópole

1869 | Abolição da escravatura em todos os domínios portugueses
1884 | Conferência de Berlim

Conferência de Berlim e partilha da África pelas potências coloniais europeias. Conferência inicialmente idealizada por Portugal no seguimento da proposta do mapa cor-de-rosa e da anexação dos territórios pelos ingleses entre Angola e Moçambique.

1890 a 1914 – Emigração portuguesa para África

A emigração portuguesa para África rondou os 2000 emigrantes anuais e raramente chegou a representar 6% do total. Nessa migração para áfrica e américa do sul estavam portugueses de origens africanas nascidos em portugal.
A grande maioria dos emigrantes – 59% dos homens e 87% das mulheres era analfabeta. Procuravam melhores condições de vida e amealhar dinheiro para constituir família; filhos de viúvas ou enjeitados, em situações desesperadas conseguiam que um padrinho lhes pagasse a passagem para o Brasil; agricultores arruinados procuravam fugir à proletarização; rapazes pobres, aspirantes a noivas de condição superior, homens ambiciosos. O fascínio do prestígio dos poucos brasileiros que regressavam ricos, compravam quintas, construíam palacetes, adquiriam comendas e distribuíam patacas pelos parentes pobres, levava os portugueses a emigrar!
Muitos negros encontravam-se em situação de semiescravatura, na primeira metade do século. Viviam sobretudo em Lisboa, Porto e Setúbal, cidades onde se empregavam em serviços domésticos. O seu número diminuía e eram substituidos por mão de obra galega m algumas regiões como o bairro do mokambo na cidade de lisboa. Serviam também como caiadores ambulantes de casas ou como picadores de touros nas arenas.

1900
1939 a 1945 – II Guerra Mundial

Lisboa foi porta de saída da Europa em guerra. Aqui se estabeleceram pessoas de muitas nacionalidades como britânicos ou alemães e procuraram obter visto de viagem muitos judeus.

1960 a 1970 – Vaga de emigração portuguesa

Vaga de emigração portuguesa, motivada pela crise do setor agrícola, a incapacidade de os setores económicos absorverem a população rural que abandonava os campos, a repressão política pela ditadura e a fuga à guerra colonial. Vinda de migrantes ou refugiados das ex-colónias africanas.

1974, 25 de abril | Revolução dos Cravos

Revolução dos Cravos iniciada pelos dirigente africanos que pretendiam a independência dos países ainda sob jugo colonial. A própria mensagem/musica de inicio da revolução em Portugal dá-se na zona do país com maior espirito revolucionário e de luta contra a exploração laboral ou escrava da região de forte presença africana que é o vale do sado, e mais especificamente a cidade de Grandola que é morena na canção pela sua forte presença ancestral africana. Apogeu nos 10 anos seguintes das migrações africanas em grande número para Portugal.

1975 | Refugiados das guerras coloniais, migrações económicas
1980
1990
2000
2022 | Refugiados e migrações

Refugiados de guerras civis, migrações sócio económicas, migrações de outras diásporas do continente americanas (norte centro e sul)