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CRONOLOGIA DA PRESENÇA DE POVOS AFRICANOS EM PORTUGAL

Escravatura

Pré História

C
PRÉ HISTÓRIA
2.58M a.C. - 11.700 a.C. | PALEOLÍTICO

O Paleolítico é um período da pré-história da humanidade, caracterizado pelo desenvolvimento da indústria lítica e pela arte rupestre. Marcado por grandes alterações climáticas, o Paleolítico corresponde ao aparecimento, desenvolvimento e migração dos primeiros humanos modernos do continente africano para o resto do mundo – a “saída de África” – e ao desaparecimento gradual das populações neandertais na Eurásia, há cerca de 40.000 anos. Em Portugal, os vestígios mais antigos do Paleolítico encontrados, até ao momento, estão localizados na Gruta da Oliveira e na Gruta da Aroeira, no complexo arqueológico do Almonda, em Torres Novas, datados de 400.000 anos atrás.

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10.300 A.C. - 5.000 A.C. | MESOLÍTICO

O Mesolítico é um período pré-histórico compreendido entre o Paleolítico e o Neolítico, tempo dos últimos caçadores-recolectores e da emergência das primeiras sociedades agro-pastoris na Europa, entre 10.300 e 5000 antes do presente (AP). Em Portugal, a ocupação mesolítica centrou-se essencialmente na zona costeira, testemunhada, até à data, pela existência de mais de 260 sítios arqueológicos (Monteiro, 2017; Strauss, 2009).

As investigações sobre o Mesolítico no país foram inauguradas pela equipa do geógrafo Carlos Ribeiro, com a descoberta do complexo dos Concheiros de Muge, nomeadamente dos concheiros de Arneiro-do-Roquete e Cabeço da Arruda (1863) e, posteriormente, de Moita do Sebastião, Cabeço da Amoreira e Fonte do Padre Pedro (1884) – localizados na margem esquerda do Vale do Tejo, em Salvaterra de Magos, e datados circa 8100 e 7100 AP (Bicho et al., 2013). Contudo, estas estruturas estão presentes um pouco por todo o globo, do Brazil (sambaquis) aos Estados Unidos (Shell middens), da Dinamarca (Køkkenmøddinger) à África do Sul onde se situa o mais antigo concheiro do mundo. 

Referências
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8100 a.C – 7100 a.C. | CONCHEIROS (DE MUGE)

Foi no âmbito das Comissões Geológicas de Portugal (1857-1918) que, em 1863, uma equipa liderada pelo geógrafo Carlos Ribeiro e pelo médico e intelectual Francisco Pereira da Costa identificou, pela primeira vez, testemunhos arqueológicos pré-históricos nos vales das ribeiras de Magos e Muge, denominados Concheiros. Datados circa 8100 e 7100 AP (Bicho et al., 2013), os concheiros de Muge – mais tarde em conjunto com os do Vale do Sado – tornar-se-iam o mais importante vestígio arqueológico do período Mesolítico no país (e no continente) devido à quantidade ímpar de restos humanos que abrigavam e ao seu elevado grau de preservação. A saber, os concheiros são estruturas compostas essencialmente por conchas de moluscos diversos capazes de preservar fragmentos de artefactos de pedra ou cerâmica, bem como esqueletos de humanos e de animais, permitindo recontar, pela mão da arqueologia, da antropologia e, mais recentemente, da genética – através de análises de ADN antigo[i] e datações de radiocarbono – a vida dos últimos caçadores-recolectores da Península Ibérica, ou seja, de um passado que antecede a escrita.

Escavações Arqueológicas no Concheiro do Cabeço da Amoreira

 

Em sintonia com o debate científico internacional sobre a origem das espécies[ii] bem como da consolidação das soberanias nacionais, também Portugal se indagava, em finais do século XIX, sobre as origens do seu povo, sobre quem seriam, afinal, os portugueses. É exatamente por esta altura que o antropólogo Francisco de Paula e Oliveira identifica, ainda que com algumas reservas, e tal como espelhado na sua obra Anthropologia prehistorica. As raças dos kjoekkenmoeddings de Mugem[iii] (1881), o que entendeu como a coexistência de populações braquicéfalas e dolicocéfalas (Cardoso, 2013). Terá sido esta a primeira vez que trabalhos desenvolvidos a partir dos esqueletos exumados em Muge, no concelho de Salvaterra de Magos, em que se apontou, à luz da antropologia do século XIX, para a existência de diferenças morfológicas cranianas entre os últimos caçadores-recolectores que indicariam a coexistência de populações distintas no Mesolítico português. Em 1907 seria a vez de António Aurélio da Costa Ferreira, partindo do estudo do material antropológico do concheiro do Cabeço de Arruda – parte do complexo dos concheiros de Muge –, preconizar também a existência de uma raça particular em Muge – a raça de Mugem –, afirmado que esta se distinguiria por um conjunto de características entendidas então como negróides (Abrunhosa, 2012: 72). Contudo, só mais tarde e a propósito de trabalhos arqueológicos desenvolvidos a partir do concheiro do Cabeço da Amoreira, António Mendes Correia exploraria, em detalhe, as hipóteses anteriormente levantadas pelos seus homónimos, defendendo a existência – a partir dos restos mortais estudados – do que denominou como Homo afer Taganus (Correia, 1936). De acordo com uma perspetiva antropológica racista e racialista, o antropólogo Mendes Correia defendeu, por meio de mensurações e comparações entre restos humanos, que um destes esqueletos evidenciava um conjunto de características morfológicas então entendidas como negróides, tais como dolicocefalia, pequena estatura, crânio alongado, nariz sobre o largo, face proeminente e proporções dos membros afins das de certas raças inferiores – populações em muito semelhantes aos pigmeus africanos e às populações etíopes e com origem no Norte de África (Correia, 1928: 110 apud Abrunhosa 2012: 73; Correia, 1941). É deste modo que ganha forma a tese da origem africana das populações mesolíticas de Muge segundo a qual era “indubitável que alguns dos primeiros habitantes da Ibéria tinham uma origem meridional, visivelmente africana, sendo impressivas as relações entre o Capsiense do Norte de África e algumas civilizações do Paleolítico Final e do préneolítico do sudoeste europeu” (cf. Cardoso e Rolão, 1999/2000: 96).

Tentativa Reconstituição Homem Pré Histórico, Agostinho Rodrigues (Museu História Natural FCUP)

 

Se a teoria de Mendes Correia ecoou num conjunto de outros trabalhos (i.e., G. Hervé ou A. Ataíde), esta foi também veementemente contestada por arqueólogos como M. Heleno ou H. Vallois, vindo a razão a pender para os últimos (Cardoso, 2000; Cardoso e Rolão, 1999/2000). Embora o próprio Mendes Correia acabasse, mais tarde, por aceitar a origem meridional das populações de Muge, não pode descurar-se o modo como a ideia de uma origem africana da nação – sublinhando, contudo, sempre os parcos vestígios deixados na população portuguesa sua contemporânea – encaixava então na perfeição com a propaganda nacionalista, multiracialista e pluricontinental que procurava legitimar e sustentar a manutenção da violência e a espoliação coloniais no continente africano, em particular pós-1960 (cf. Stjerna, 2017).

Contudo, esta hipótese seria abandonada pelos estudos arqueológicos e antropológicos em Portugal e, mesmo que as migrações do norte de África se tornassem consensuais na consolidação da (pré)história da Península Ibérica, a verdade é que a partir da década de 1970, o norte de África, praticamente, desapareceu dos mapas arqueológicos que recontam a história da península (Diniz, 2007). No decorrer do Paleolítico, a Península Ibérica terá funcionado como um refúgio à glaciação e, por isso mesmo, encerrava em si uma linhagem genética particular, distinta face ao resto do continente (Entrevista a geneticista, 14/06/2023). Ademais, o contacto com o norte de África parece somente acontecer a partir do período Neolítico e, inicialmente no sentido norte-sul; só mais tarde, já no decorrer do Calcolítico parecem adensar-se os vestígios da presença africana na península (i.e., enterramentos e cultura material). Estes dados genéticos recentes parecem reforçar a oposição de Manuel Heleno à teoria de Mendes Correia que – apoiado em fortes evidências arqueológicas – “comparou a difusão da cultura megalítica a um imperialismo pré-histórico cuja fonte de desenvolvimento era de génese portuguesa” (Peyroteo-Stjerna, 2017: 84), sustentando, a partir da arqueologia pré-histórica, uma outra narrativa sobre as origens do povo português, em linha com o que acontecia, então, em outras latitudes europeias, também aqui a arqueologia servia para narrar e tornar coerente a nação e a identidade nacional:

From the late nineteenth century throughout the first half of the twentieth century, European archaeology studied its human osteological collections from racial perspectives, aiming at finding national identities based on narratives of origins, selected relations and networks. Although based on different motivations, these narratives had strong nationalistic accents. As discussed, in Portugal, the Tagus valley collections were implicated, although modestly, in arguments related to identity, ancestry, and origins. […]. In a country such as Portugal, with a very long history, located in a geographic space where no reasons besides political ones could justify its independence, it seems quite obvious that nationalistic discourses favoured historical periods rather than prehistory, classical antiquity or the early Middle Ages. Even so, Portuguese archaeologists with nationalistic aims have tried, with little success to relocate the roots of the nation deeper in history, chiefly as an attempt to achieve social relevance in the eyes of both political power and public opinion (Stjerna, 2017: 85).

Com a eclosão da II Guerra Mundial e o abandono das teorias racialistas pela disciplina de Antropologia, não mais se voltaria aos debates sobre a origem africana dos restos mortais de Muge, desacreditados, desde logo, pelos métodos racistas que conduziram Mendes Correia e outros a defender a existência do Homo afer Taganus.

Contudo, este debate viria, de certo modo, a ser relançado – mesmo que por breves instante – quando, em 2022, uma equipa multidisciplinar, dirigida pela arqueóloga biomolecular Rita Peyroteo Stjerna identificou, entre restos mortais provenientes do concheiro de Cabeço da Amoreira (Muge), e sem que nada o fizesse adivinhar, um indivíduo de origem africana. Nada neste enterramento intencional[iv] faria adivinhar, mas os resultados da análise de ADN antigo e, em particular, dos dados uni-parentais – cromossoma Y (linhagem paterna) e DNA mitocondrial (linhagem materna) – trouxeram, pela coincidência, reminiscências do debate que, em tempos, ligou a pré-história da Península Ibérica à do continente africano (entrevistas a arqueóloga, 02/06/2023 e geneticista, 14/06/2023). No entanto, a datação do osso, através de análises subsequentes de radiocarbono revelaram uma outra história, bem mais recente do que aquela à qual nos habituaram os concheiros mesolíticos.

O estudo do Centro de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Portugal) e da Universidade de Uppsala (Suécia) mostrou é que entre os restos mortais deste Concheiro Mesolítico repousava o corpo de um homem, originário da África Ocidental, negro – de pele escura – que terá vivido e morrido em Portugal, entre os séculos XVII e XVIII (circa 1600-1750) (Peyroteo-Stjerna et al., 2022). Ao que tudo indica, este homem seria proveniente da zona da Senegâmbia,[v] trazido forçadamente para Portugal no âmbito do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas, onde terá vivido, ao que tudo indica a sua dieta, por uma década, até à sua morte, não sendo possível proceder à sua identificação concreta (Idem). De resto, a existência de pessoas escravizadas não seria estranha ao Vale do Tejo já que o Concheiro, em particular, estava localizado na Casa do Cadaval, há muito propriedade da nobreza e inserida numa região agrícola onde trabalhavam populações escravizadas (entrevista a arqueóloga, 02/06/2023). No entanto, não foi possível uma identificação concreta da pessoa encontrada, por dois motivos. Por um lado, embora conste dos registos paroquiais uma pessoa “parda” assassinada no Concheiro do Arneiro da Amoreira neste mesmo período, atesta-se que este homem terá sido enterrado nas proximidades da Igreja; por outro, de acordo com o DNA antigo, os restos mortais correspondem a uma pessoa negra, de pele escura, não “parda”.

Importante, este achado parece apontar para que, no decorrer do período da escravatura transatlântica, comunidades africanas escravizadas possam “ter desenvolvido estratégias para preservar os seus valores e identidade sociocultural”, e que por forma a “manter crenças e tradições específicas” estas populações deslocadas forçadamente para Portugal poderão ter encontrado no concheiro do Cabeço da Amoreira o local ideal para o enterro, uma vez que “concheiros semelhantes aos de Muge são usados, até aos dias de hoje, na África Ocidental” (Peyroteo-Stjerna et al., 2022; Mirante, 2022; Público, 2022). Embora não sejam conhecidas práticas funerárias modernas nos concheiros em Portugal, de facto esta é, até ao momento, a única, sabe-se que os concheiros eram conhecidos das populações como locais de enterramento. Neste sentido, é importante sublinhar a excepcionalidade do achado, já que embora os concheiros e os seus restos mortais sejam amplamente estudados todos são datados do Mesolítico, sendo este o único identificado como africano e de outro período histórico. No entanto, mesmo sendo expectável que pudessem aparecer mais restos mortais no mesmo ou em outro concheiro é sabido que perante a norma católica, os enterramentos deviam ser feitos nas imediações da igreja e que, por vezes, a identificação dos restos mortais é difícil tanto pela escassez de recursos como pelo corte e consecutiva degradação das amostras de osso (entrevista a arqueóloga, 02/06/2023).

Note-se, no entanto, que a informação extraível do osso a partir de testes de ADN antigo, se preservado, é inúmera, nomeadamente, através do somatório de um conjunto de variáveis, é possível aferir sobre o fenótipo[vi], nomeadamente aferir sobre a cor da pele dos últimos caçadores-recolectores no continente europeu e aqui em particular na Península Ibérica. De facto, dados genéticos recentes apontam para que as populações mesolíticas europeias fossem compostas por pessoas de pele escura e olhos claros, tal como exemplifica a recente reconstituição do homem de Cheddar, localizado em Inglaterra, exatamente neste período e que hoje repousa no Museu de História Natural, em Londres.[vii]

Homem de Cheddar, um esqueleto do Mesolítico identificado na Gruta de Gough,  em Cheddar     Gorge (Somerset, United Kingdom), em 1903. Fonte: Natural History Museum.

 

É no decorrer do Neolítico, essencialmente devido a processos migratórios – continentais e mediterrânicos – de populações do Oriente Médio, em particular da Anatólia e que consigo trouxeram o “pacote do neolítico” (i.e., agricultura, pastorícia ou cerâmica) para o espaço europeu, que se assiste ao embranquecimento da pele das populações do continente e se tornam mais comuns, em algumas regiões europeias, os olhos castanhos, através de um processo de mistura e replacement genético (entrevista a geneticista, 14/06/2023).

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[i] O DNA permite-nos aferir o perfil genético das pessoas. Neste sentido, por vezes, questões que foram durante muito tempo debatidas pela arqueologia, como por exemplo o processo de transição do Mesolítico para o Neolítico – se resultou de processos locais e de vizinhança ou de migrações externas – é passível de ser explicado a partir da análise do DNA antigo preservado num osso ou mesmo num dente (entrevista a geneticista, 14/06/2023).

[ii] Charles Darwin havia publicado A Origem das Espécies em 1860.

[iii] Cf. Fernando de Paula e Oliveira (1881) – Anthropologia prehistorica. As raças dos kjoekkenmoeddings de Mugem. Lisboa: Typographia Popular.

[iv] Intencional, não há nada que distinga este enterramento dos do mesolítico, visto tratar-se de um  enterramento simples, em covacho, na areia e sem cultura material associada, não sendo por isso possível distingui-lo dos do mesolítico, pela simples observação arqueológica ou antropológica. De notar, no entanto, que curiosamente quando se refere ao Homo Taganus, Mendes Correia indica que este indivíduo se distingue também por estar mais bem preservado e por ter outra estatura, se bem que esta variabilidade também poderia acontecer entre esqueletos da mesma época (entrevista a geneticista, 14/06/2023).

[v] Note-se que, no entanto, as comparações e correspondência são possíveis de acordo com os dados existentes e que não há dados disponíveis para o que é hoje a Guiné Bissau, por exemplo.

[vi] No entanto, deve sublinhar-se que o genoma humano tem milhões de posições mutáveis e que somente uma parte ínfima tem reflexo no fenótipo, ou seja a informação do genoma que se traduz em diferenças visíveis é, na realidade, ínfima. Ou seja, a maneira como nós somos diferentes de uma pessoa negra vai muito além da cor da nossa pele. Além do mais, aquilo que nós sabemos hoje onde, no genoma, está codificada a informação para a cor de pele, dos olhos ou do cabelo pode não refletir a variabilidade que existia nos povos antigos: podia haver outras posições no genoma no passado diferentes para estes fenótipos e que nós desconhecemos (entrevista a geneticista, 14/06/2023).

[vii] https://www.nhm.ac.uk/discover/cheddar-man-mesolithic-britain-blue-eyed-boy.html.

Referências

Contexto |
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  26. PEYROTEO-STJERNA, R. (2016). Death in the Mesolithic or the Mortuary Practices of the Last Hunter-Gatherers of the  South-Western Iberian Peninsula, 7th–6th Millennium BCE, Occasional Papers in Archaeology 60.
Concheiros de Muge (Século XXI)
  1. LUSA (2022). Complexo pré-histórico continha ossadas de africano da Idade Moderna. Público, 21 de Fevereiro.
  2. O MIRANTE (2022). Descoberta ‘surpreendente’ nos Concheiros de Muge, 22 de fevereiro. 
  3. PEYROTEO-STJERNA, R. (2022). Multidisciplinary investigation reveals an individual of West African origin buried in a Portuguese Mesolithic shell midden four centuries ago. Journal of Archaeological Science: Reports 42.
12.000 A.C. - 3.000 A.C | NEOLÍTICO

Idade Antiga

C
IDADE ANTIGA
3000 A.C. – c. 1800 A.C. | Calcolítico

Rede de povoados campaniformes: pequenas unidades de povoamento, de raiz familiar. Necessidade de visualização do espaço a grande distância (controle) e algum tipo de fortificação.

2000 a.C. até c. 800 a.C. | Idade do Bronze

Centralização de antigos povoados: emergência de centros de poder político-económico, em altura, dominantes sobre a paisagem e sobre outros núcleos de povoamento. Elites indígenas que serão as interlocutoras com os fenícios povo africano do norte de áfrica (chegados provavelmente ainda no séc. IX a.C., a julgar pelas datações em Almaraz).

1070 A.C. | Talinka é erguida

Bratrikus entrou pelo sul da península ibérica e ergue a sua capital em talikha, perto da sevilha atual

878 A.C. | Fenícios

Povos Fenícios de origens norte africanas anteriores ao colonialismo árabe, fundaram Cartago. Nas próximas centenas de anos vagas de comércio fenício e fenício ocidental (cartagineses) chegam a Olisipo.

750 a.C. a 138 a.C. | Olisipo
Surge o povoado, mais tarde conhecido por Olisipo (-ipo significa «lugar num alto», na língua turdula do sul peninsular), na colina do Castelo e junto à frente ribeirinha.
700 a 646 A.C. | Presença do Faraó Taharka na Península Ibérica
Presença na península Ibérica do general Kemetiano (antigo Egito) Taharka (tarraca em latim) mais tarde torna-se faraó por renúncia do seu tio. Último rei nubiano que governou o Egito. Taharqa, era filho de Piye e assumiu o trono em 690 a.C., após a morte do tio Shabaka. Notabilizou-se como guerreiro e chefe militar antes mesmo de virar faraó. Presença atual do olho egípcio protetor nos barcos de pescadores da Costa da Caparica, e dos amuletos em forma de escaravelho encontradas nas escavações arqueológicas no vale do Sado e noutros locais da Iberia.
400 A.C
218 a.C. até 201 a.C. | Guerras Púnicas

II Guerras Púnicas. Guerras Púnicas – Guerra de Roma contra os povos africanos do norte de África – Cartagineses. Presença na Ibéria de Hannibal o africano que pediu ajuda aos povos locais para lutar contra Roma com os seus elefantes couraçados.

200 A.C.
100
188/9-199 | Papado de Víctor I

O Papa Santo Víctor – como era também conhecido – foi o primeiro Papa nascido no continente africano de que há memória. Foi bispo de Roma e trabalhou na cidade de Leptis Magna e na região de Tripolitanea. O seu episcopado foi marcado por disputas no seio da igreja ligadas à homogeneização da data de celebração da Páscoa e ao início da utilização do latim, em substituição do grego, usado até então por outros papas. Enquanto vários historiadores argumentam que se tratava de um homem negro de origem Amazigh, Papa Victor I é representado essencialmente como homem branco. O ano estimado da sua morte é 199. 

Referências

  1. ecWiki Enciclopédia Católica Online (s.d.). Papa San Víctor I. [https://ec.aciprensa.com/wiki/Papa_San_V%C3%ADctor_I
  2. Kirsch, J. P. (1912). Pope St. Victor I, The Catholic Encyclopedia. Vol. 15. New York: Robert Appleton Company [http://www.newadvent.org/cathen/15408a.htm].
  3. Lista de Papas (s.d.). Lista de Papas. [https://listadepapas.com/
  4. Sertima, I. V. (1985). African Presence in Early Europe, Journal of African Civilizations
200
300
311-314 | Papado de Miltiades

Santo Miltiades – o Africano – foi o trigésimo-segundo papa e Bispo de Roma. Nascido em Roma com ascendência Amazigh, eleito a 2 de Junho de 311 d.C. Foi durante o seu pontificado que, através do Édito de Milão que foi concedida ao Cristianismo estatuto legal no Império Romano

Referências

  1. Lista de Papas (s.d.). Lista de Papas. [https://listadepapas.com/]
  2. Sertima, I. V. (1985). African Presence in Early Europe, Journal of African Civilizations.
  3. Benedicte, V.S. (2022) Three African Popes.
409 | Invasão Bárbara

Invasão do Império Romano pelos povos ditos bárbaros. Vândalos, alanos e suevos dirigem-se para a Península Ibérica.

468 | Visigodos
O último governador romano da cidade de Olisipo, Lusidius, transfere o poder para o rei suevo. A cidade terá passado para o governo dos visigodos, pouco tempo depois.
476 | Fim do Império Romano do Ocidente
Fim do Império Romano do Ocidente.
492-496 | Papado de Gelasius I

Papa Gelasius I nasceu em 410 d.C na província romana do Norte de África, dizendo que “nasceu romano em África”. Foi bispo de Roma de 1 de Março de 492 até à sua morte, a 19 Novembro de 496 – o terceiro e último Papa de origem Amazigh da história da igreja católica. Ortodoxo, trabalhou durante vários anos como assistente do seu antecessor e ficou conhecido como o escritor mais prolífico entre os líderes da igreja redigindo mais de 100 tratados e cartas e definindo a autoridade do papado por cinco séculos após a sua morte. Muitos dos seus escritos podem ser encontrados na biblioteca do Vaticano, em Roma. 

Referências

  1. Lista de Papas (s.d.). Lista de Papas. [https://listadepapas.com/].
  2. Sertima, I. V. (1985). African Presence in Early Europe, Journal of African Civilizations.
  3. Benedicte, V.S. (2022) Three African Popes.
500
600
711 | Início da presença muçulmana na Península Ibérica.

Dinastias mais africanizadas eram as dos Almorávida (1086) e Almóada (1145), no meio entre as duas, assim como antes e após elas, houve reinos independentes e fracionados, as«taifas», até aos últimos dias de reinos de muçulmanos do al-Andalus em 1492;

Quer durante, quer fora dos governos «mais africanizados», os árabes (principalmente iemenitas, egípcios, sírios) ficaram maioritários, do ponto de vista numérico, se comparados aos próprios amazigh (berberes); mas há presença de berberes já na Península (nomeadamente no ocidente) já antes de haver al-Andalus (antes de 711);

Esta não foi uma invasão (ou uma ocupação), nem propriamente um convite, mas uma conquista relativamente pouco beligerante e por vezes favorecida pelas elites, às quais em alguns casos foi deixado um certo poder local. Por isso foi rápida, tendo em conta que os visigodos estavam em grande crise (económica, cultural, etc.) e os muçulmanos estavam na madrugada do apogeu da sua civilização (logo levavam consigo conhecimento, novas instituições, maiores possibilidade de riqueza, etc.); além disso, a própria instituição islâmica do dhimmah (pacto de proteção e convivência), permitia a pacífica convivência entre judeus, cristãos e muçulmanos, facilitou o espalhar-se do poder islâmico, a migração continuou ao longo de décadas.

714 | Conquista muçulmana de Olisipona
Conquista muçulmana de Olisipona. A cidade ganha novo nome, Al – Ushbuna.

Idade Média

C
Idade Média
Finais do século XI e meados do século XII
Almorávidas e almóadas povos amazigh, (berberes), Fulani e outros do norte de Africa convertidos ao islamismo, juntam-se aos muçulmanos da Península Ibérica para repelir o avanço cristão.
800
900
1000
1100
1147 | D. Afonso Henriques conquista Al-Ushbuna
Al-Ushbuna detém uma população de cerca de 12 000 habitantes. A 25 de outubro de 1147, o rei D. Afonso Henriques conquista a cidade aos mouros. Como aliados conta com cruzados, vindos do norte da Europa.
1170 | Foral aos mouros forros de Lisboa, por D. Afonso Henriques
1200
1252-1284 | Primeiras referências a população negra na Península Ibérica

De acordo com a hitoriadora Isabel Castro Henriques as primeiras referências a populações negras na Península Ibérica, em particular na Galiza estão “registadas numa memória escrita e iconográfica, intitula Cantidas de Santa Maria, a obra madada organizar por Afonso X, de Leão e Castela, entre 1252 e 1284, que regista a presença de uma mulher africana “negra como carvão”, “donzela feia”, “velosa como cão”, “velha de má côr”, mal cheirosa como “sison e alermã” (ave e planta), retratada com uma violência somática que vai perdurar durante séculos no vasto mundo ocidental” (Henriques, 2020: 59).

Referências 

CASTRO HENRIQUES, I. e DA SILVA, J.M. (2020). Os “Pretos do Sado”: História e memória de uma comunidade alentejana de origem Africana (Séculos XV-XX). Lisboa: Edições Colibri.

1300
1348 - Peste Negra
Peste Negra introduzida por via marítima e via terrestre, afetou todas as províncias do reino, causando inúmeras vítimas. Admite-se que entre 1/3 a ½ da população pereceu. Nos anos seguintes repetiram-se as pestilências embora com menor impacto. A súbita diminuição no número de habitantes causados pela doença, fome e guerra (e terramotos) traduziu-se em problemas de escassez de mão de obra, especialmente nos centros urbanos. Procuraram-se artesãos o que resultou no aumento de salário e na fuga do trabalhador rural para a cidade, onde lhe pagavam melhor.
1391 | O movimento antijudaico em Espanha
O movimento antijudaico em Espanha levou ao crescimento da comunidade hebraica em Portugal, muitos eram considerados judeus negros. Centenas de Judeus emigraram de Espanha para Portugal. Fixaram-se primeiro nas cidades mais próximas da sua entrada (litoral para os que viajaram por mar e as do interior raiano para os chegados por terra) e gradualmente foram ampliando a sua área de ocupação.
1400
1415 | Início da expansão marítima portuguesa e das guerras de conquista
Iniciou-se com a conquista de Ceuta à elite árabe colonizadora vinda da península arábica e aos povos africanos de Marrocos já colonizados pelo islão.
1441 | Chegada a Lagos do primeiro grupo de pessoas Amazigh escravizadas

De acordo com o historiador Vitorino Magalhães Godinho, chegam a Portugal, em 1441, os primeiros 10 a 18 “cativos” azenegues “apresados” no litoral do Saara, raptados por Antão Gonçalves e Nuno Tristão, numa emboscada a um acampamento em Porto de Cavaleiro (Rio do Ouro), dos quais se obteriam as primeiras informações dadas sobre o sertão saariano, facilitando a que na viagem seguinte, em 1443, se juntassem a estes, mais 29 pessoas. Godinho refere ainda, que segundo Eanes Gomes Zurara, Tristão “era movido pelo desejo de filhar cativos em número tal que o infante começasse a tirar proveito das despesas feitas nas viagens” (1983: 155).

Referências

  1. Godinho, V.M. (1983). Os Descobrimentos e a Economia Mundial, Volume IV. Lisboa: Editorial Presença.
1444 | Chegada a Lagos do primeiro grande grupo de pessoas negras escravizadas

As primeiras razias à costa africana que resultaram no aprisionamento de pessoas africanas e negras começaram na década de 1440’s que, de acordo com o cronista Gomes Eanes Zurara trouxeram a Lagos, na costa algarvia, o primeiro contingente de 235 mulheres, crianças e homens africanos raptados e aprisionados na costa da Mauritânia, a 8 de agosto de 1444, testemunhada pela curiosidade de muitas pessoas que ali se juntaram (Henriques e Silva, 2020:61). É este evento que marca, em grande medida, o início do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. De facto, estima-se que entre meados de 1400s e 1761, tenham sido trazidos para Portugal cerca de 400.000 homens, mulheres e crianças (Lahon, 2004: 73-74). Entre os séculos XV e XIX estima-se que Portugal tenha sido responsável, em conjunto com o Brasil (independente desde 1822), por cerca de metade dos 12M de pessoas escravizadas no atlântico.

Referências

  1. Castro Henriques, I. & da Silva, J.M. (2020). Os “Pretos do Sado”: História e memória de uma comunidade alentejana de origem Africana (Séculos XV-XX). Lisboa: Edições Colibri.
  2. Lahon, D. (2004). O escravo africano na vida económica e social portuguesa do Antigo Regime, Africana Studia7, 73-100.
  3. Voyages Database (2009). Voyages: The Trans-Atlantic Slave Trade Database, http://www.slavevoyages.org.
1444 | Instalação das primeiras pessoas escravizadas em Lisboa
  1. Brandão, J. (1541). Da valia dos escravos que vem a esta cidade”, Estatística de Lisboa.
  2. Caldeira, A.M. (2019). Africanos em Lisboa no século XIX, Convivência(s)/Coexistence: Lisboa Plural, 1147-1910.
  3. Castro Henriques, I. (2019c). Roteiro Histórico de uma Lisboa Africana Séculos XV-XXI. Portugal: Alto Comissariado para as Migrações.
  4. Castro Henriques, I. & Leite, P.P. (2013). Lisboa, Cidade Africana: Percursos e Lugares de Memória da Presença Africana, Séculos XV-XXI. Lisboa/Ilha de Moçambique: Marca d’Água – Publicações e Projetos.
  5. Fonseca, J. (2010). Escravos e senhores na Lisboa quinhentista. Lisboa: Colibri.
  6. Júlio, A. (2021). O adro da Igreja de São Domingos (Lisboa) Análise de uma série osteológica Pós-Medieval. Dissertação de Mestrado em Evolução e Biologia Humanas apresentada à Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade de Coimbra. Portugal.
  7. Manso, C. et al. (2022). Afro-Portuguese Ivories from Campo das Cebolas (Lisbon, Portugal). In J. S. Horta, C. Almeida, and P. Mark (eds.), African Ivories in the Atlantic World 1400-1900, 535–552. Lisboa: Universidade de Lisboa.
  8. Neto, M.C. (1994). Os negros em Lisboa no século XIX. Tentativa de caracterização histórico-biológica, Garcia de Orta – Série de Antropobiologia 7, 1 e 2.
  9. Pereira, F.B. (1999). Chafariz del Rei no século XVI, Os negros em Portugal. Séculos XV a XIX. Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 104-107.
  10. Ponce, M. et al. (2017). O Sítio dos Lagares (Lisboa): Um Espaço Pluricultural. In J. Arnaud, C. Neves & A. Martins, Arqueologia em Portugal, 2017: Estado da Questão, 1703–1714. Lisboa: Associação dos Arqueólogos Portugueses.
  11. Rijo, D. (2012). Os escravos na Lisboa Joanina. Porto: CITCEM.
  12. Santana, F. (1988). Processos de escravos e forros na Inquisição de Lisboa, Ler História 13, 15-30.
  13. Saunders, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
  14. Serrão, V. (2002). O Chafariz del Rei da Ribeira Velha, em Lisboa, numa valiosa pintura do fim do século XVI, Estudos de história da arte. Novos contributos. Lisboa: Câmara Municipal, 69-76. 
  15. Simões, S. (2015). Uma Panela na Rua da Saudade, Lisboa – Legado de Populações Escravas em Portugal? In Fuente, C. Garcia, L. Alaiza, B. Beloqui e C. Álvarez (eds.), Actas VII JIA, Arqueologias Sociales, Arqueologia em Sociedade. Vitória: Arkeogazt, 151–160.
  16. Sucena, E. (1994). Mocambo, Dicionário de História de Lisboa, 584.
  17. Sweet, J. (2013). The Hidden Histories of African Lisbon. In J. Cañizares- Esguerra et al. (org.), The Black Urban Atlantic in the age of the Slave Trade. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 233-247.
  18. Trindade, L. & Diogo, A. (2000). Elementos sobre o Cemitério do adro da Igreja de S. Domingos, Arqueologia e História 52, 59–71.
  19. Trindade, L. et al. (2001). Elementos para o Estudo dos Restos Humanos da Intervenção Arqueológica de 1991 no Cemitério do adro da Igreja de São Domingos em Lisboa, Arqueologia e História 53, 109–124.
  20. Vogt, J. (1973). The Lisbon Slave House and African Trade 1486-1521, Proceedings of the American Philosophical Society 117 (1), 1-16.
        1452 | Bula Papal "Dum Diversas"

        A 18 de Junho de 1452, o Papa Nicolau V emitiu a Bula “Dum Diversas” que concedia à cora portuguesa o direito de capturar territórios e reduzir à condição de “escravos perpétuos” as populações não-cristãs da África Ocidental.

        Referências

        1. Papa Nicolau V (1452). Bula “Dum Diversas”, 18 de junho.

        Idade Moderna

        C
        Idade Moderna
        1453 | Gomes Eanes de Zurara escreve "A Crónica do Descobrimento e Conquista da Guiné"

        Em 1453, o cronista real Eanes Gomes de Zurara entregou em 1453, ao então rei Afonso V o manuscrito A Crónica do Descobrimento e Conquista da Guiné (ou, de acordo com a edição, Crónica dos Feitos da Guiné), um documento essencial já que testemunha, de forma coeva, a solidificação da empresa colonial portuguesa no continente africano, bem como o início da escravatura transatlântica.

        Referências

        1. Leite, D. (1941). Acerca da “Crónica dos feitos de Guinee”. Livraria Bertrand. Lisboa.
        2. Zurara, G.E. (1989). Crónica do Descobrimento e Conquista da Guiné. Lisboa: Publicações Europa-América.
        1454 | Bula “Romanus Pontifex”

        A “Romanus Pontifex” foi emitida pelo Papa Nicolau V, em 1454 e concedia à coroa portuguesa o direito de exploração da costa africana e do Atlântico, ou seja a exclusividade de navegar, comercializar e tomar possa das regiões a sul do Cabo Bojador.

        Referências

        1. Papa Nicolau V (1454). Bula “Romanus Pontifex”, 8 de janeiro.
        1459 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM BEJA

        Referências

        1. Fonseca, J. (2020). “De Escravos a Negros livres no Sul de Portugal“. In M. D. Barros & A.P. Gato (eds.), Desigualdades – Estudos & Colóquios
        2. Saunders, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
        1461 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM SANTARÉM

        Referências

        1. Saunders, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
        1466 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM ÉVORA

        Em 1466, o alemão Gabriel Teztel descreveu uma elevada presença de negros e mouros na cidade. Mais tarde seria a vez do humanista e pedagogo Nicolau Clenardo reforçaria essa mesma ideia, dizendo “(…) mal pus o pé em Évora julguei-me transportado a uma cidade do inferno: por toda a parte topava com negros”. De facto, de acordo com o Museu Afro-digital, segundo os registos paroquiais mais de 5 % da população era escravizada.

         Referências

        1. Fonseca, J. (1997). Escravos em Évora no século XVI. Évora: Câmara Municipal de Évora.
        2. Fonseca, J. (1996-97). Fugas de escravos na região de Évora (Século XVII), A Cidade de Évora, 2ª série, 2, 211-228.
        3. Museu Afro-digital. Estação Portugal. [https://museudigitalafroportugues.wordpress.com/sobre/evora/]
        4. Maurício. D. (1977). A Universidade de Évora e a EscravaturaDidaskalia VII: 153-200.
        5. Saunders, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
        6. Letts, M. H. (1953 [1882]). The travels of Leo of Rozmital through Germany, Flanders, England, France, Spain, Portugal, and Italy, 1465-1467. Cambridge: Cambridge University Press.
          1466 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM BRAGA

          Referências

          1. Saunders, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
          1466 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM ARRIFANA (AVEIRO)

          Referências

          1. Saunders, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
          1468 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM ALMADA

          Referências

          1. Fonseca, J. (2020). A Confraria do Rosário de Óbidos no século XVI: piedade, convívio e solidariedade da comunidade negra, Lusitania Sacra 41, 41-60.
          2. Saunders, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
          1469 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM ÓBIDOS

          Referências

          SAUNDERS, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

          1475 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS NO PORTO

          Referências

          1. Barros, A. (2004). O Porto e o trato de escravos no século XVI, Africana Studia Porto: Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto, 31-51.
          2. Saunders, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
          3. Valença, M. (2003). Escravatura na região do Porto (1591-1795). Braga: Editorial Franciscana.

           

           

           

          1475 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM ELVAS

          Referências

          1. Saunders, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
          1475 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM SETÚBAL
          1. Gorjão Henriques, J. (2020). Detectives procuram presença de população negra em Setúbal, Público, 7 de março.[https://www.publico.pt/2020/03/07/local/reportagem/detectives-procuram-presenca-populacao-negra-setubal-1906738]
          2. Alcântara, A, Roldão, C. e Cruz, C. (2019). Visita à Setúbal Negra (séc. XV-XVIII): Desocultar a história local através da educação não-formal, Medi@ções – Revista Online da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal72, 66-85 [http://mediacoes.ese.ips.pt/index.php/mediacoesonline/article/view/241/pdf]
          3. Saunders, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
              1480 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM ÉVORAMONTE

              Referências

              1. Saunders, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
              1489 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM VALE DE ZEBRO

              Referências

              1. Saunders, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
              1492 | EXPULSÃO DOS MUÇULMANOS DE GRANADA E CHEGADA DE CRISTÓVÃO COLOMBO À ÁMERIA | A INVENÇÃO DO OCIDENTE

              1492 é assinalado como o ano da queda de Granada de Muhammad XII pelos reis católicos, o ano em que Cristóvão Colombo chega à América do Norte, bem como o ano em que é assinado o Tratado de Alhambra que decreta a expulsão de todos os Judeus do reino de Espanha (que entram em Portugal em grande número).

              Segundo o antropólogo Michel-Rolph Trouillot (1995), o Ocidente foi criado no decorrer do século XVI, na sequência de um conjunto de transformações materiais e simbólicas: i) a expulsão dos muçulmanos da Península Ibérica; ii) a inauguração das viagens imperiais e do comércio colonial com a chegada de Cristóvão Colombo à América do Norte; iii) a maturação das monarquias absolutistas. Por sua vez, a europa – espelho e sinónimo de Ocidente – consolida-se pela criação de um passado greco-romano, da ocidentalização do cristianismo e do traçar de uma linha imaginária do sul de Cádis ao norte de Constantinopla – um espaço, metageográfico que delimita uma arena histórica, ideológica e política (Trouillot, 1995; Asad, 2005). Este é também o contexto que a Europa se coloca na posição de colonizadora e é inaugurada a crença de que a civilização europeia – agora, o Ocidente – possui uma “vantagem histórica” concedida por uma “qualidade” racial, cultural, ambiental, mental ou espiritual que lhe confere uma superioridade permanente face a outras comunidades humanas (Blaut, 1993). De facto, o processo de colonização e a inauguração do capitalismo enquanto novo poder global e modelo de dominação sustentou-se na classificação de pessoas a partir de critérios raciais, que edificaram e naturalizaram as diferenças entre colonizador/colonizado, construindo (novas) estruturas (e controlo) de trabalho, acesso a recursos e de produção de conhecimento (racial/eurocêntrico) (Quijano, 2000).

              James Sweet, no seu artigo, “Collective Degragation: Slavery and the construction of Race”, refere o modo como a partilha europeia de uma conceção racial e cultural sobre o “outro” devolveu a conceção de um “nós” europeu, ancorada em três pilares essenciais, pós-1492: i) apesar da concorrência entre católicos e protestantes, todos eram cristãos; ii) não obstante as lutas pela soberania/sucessão fossem constantes, todos os espaços eram monarquias centralizadas; iii) conquanto instrumentalizado de formas diferentes, estava presente na europa um humanismo filosófico que parecia ter em comum um discurso relacionado com a consagração dos direitos individuais; e, de facto, é a criação de uma ideia de unidades distintas que sustenta que indivíduos são passíveis de serem escravizados (2003:4).

              Se, no período pré-escravatura transatlântica o processo estava circunscrito ao espaço europeu, à escravização de pessoas Roma/ciganas, eslavas, judias e muçulmanas, baseando-se no argumento da “infidelidade religiosa”, segundo a qual poderiam ser escravizados todos os “infiéis”; com o início do tráfico transatlântico, os termos do debate alteram-se: embora se considerasse que os africanos eram “gentis” e possuíam capacidades de conversão ao cristianismo, apresentando um potencial de integração nos estados-nação emergentes, insistia-se também que devido a serem “bárbaros”, as suas capacidades de conversão eram incertas (salvo raras exceções) e que eram passíveis de ser escravizados (Idem). As bulas papais de 1452 e 1454 vêm então conferir o direito do Rei Afonso V de Portugal de escravizar todos os infiéis na África Ocidental e proclamar o direito dos europeus a conquistar e escravizar todas as populações a sul do Cabo Bojador, sob o pretexto de uma missão civilizadora (Idem:6).

              As proposições racistas que justificaram a escravatura eram visíveis através da linguagem, nomeadamente no português, uma vez que os “escravos africanos” eram distinguidos dos “mouros” pelo termo “negro”, enquanto o termo “mouro negro” implicaria uma dupla “outrificação” baseada na interseção entre critérios raciais e religiosos. Na segunda metade do século XV, na Península Ibérica, o termo “negro” era equivalente a “escravo”, embora posteriormente a escravatura se tivesse alargado também às populações indígenas (Ibidem). Denote-se que esta conceção de raça operacionalizada no século XV em alguns países mediterrâneos como Portugal ou Espanha, “rapidamente viria a marcar a Europa, bem como as sociedades coloniais e imperiais, especialmente aquando da construção da soberania do estado” (Goldberg, 2009:3).

              Referências

              1. Goldberg, D.T. (2009). Buried Alive”. In D.T. Goldberg, The threat of race: reflections on racial neoliberalism. Oxford: Wiley G Blackwell, pp.1-31.
              2. Sweet, J. H. (2003), Spanish and Portuguese Influences on Racial Slavery in British North America 1492-1619, Proceedings of the Fifth Annual Lehrman Centre International Conference at Yale University Collective Degradation: Slavery and the Construction of Race.
              3. Trouillot, M.R. (1995), Silencing the past. Power and the Production of History. Boston: Beacon Press.

               

              1493 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM TAVIRA

              Referências

              1. Saunders, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
              1496 | Édito de expulsão de judeus e mouros do reino, por D. Manuel I

              Édito de expulsão de judeus e mouros do reino, por D. Manuel I. Em Lisboa, a mouraria com cerca de 5 ha, não deve ter ultrapassado as 500 almas no século XV. O número de mouros ao longo do século foi diminuindo: uns afetados por doença e peste, outros emigraram para o norte de África e para Granada, ou ainda por miscigenação, ao integrarem a sociedade cristã.

              Ao contrário das comunidades mouras, as judaicas aumentaram, quer em número quer em poder económico. Maria José Ferro Tavares calculou a população hebraica em cerca de 30 000 habitantes. O índice de miscigenação era muito baixo – a rejeição partia da própria comunidade judaica e das penas para quem ousasse manter relações entre elementos das comunidades cristã e judaica. Em Lisboa, existiram três judiarias e um núcleo habitacional (extinto em 1317, na Pedreira): Judiaria Velha ou Grande, Judiaria Nova ou das Tercenas e Judiaria de Alfama.

              1500 | Instalação de pessoas escravizadas em Alter do Chão

              Referência

              1. Saunders, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
              1507 | Instalação de pessoas escravizadas em Almeirim

              Referência

              1. Saunders, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
              1500 a 1475 | Centenas ou mesmo milhares de famílias migram para a Madeira ou Açores

              Centenas ou mesmo milhares de famílias migram para a Madeira ou Açores, e nos anos seguintes migram também para outras paragens além-mar deixando registos da presença de portugueses negros por todas esses locais. Estados Unidos, Hawai entre outros.

              1512 | LISBOA TORNA-SE OFICIALMENTE O ÚNICO PORTO DE DESEMBARQUE DE PESSOAS AFRICANAS ESCRAVIZADAS

              Referência

              1. Saunders, C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
              1514 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM MIRANDA DO DOURO

              Referência

              1. Saunders, C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
              1519 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM VILA NOVA DE PORTIMÃO

              Referência

              1. Saunders, C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
              1520 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM SERPA

              Referência

              1. Saunders, C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
              1520 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS NO ALVITO

              Referência

              1. Saunders, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
              1520 | NASCIMENTO DO COMPOSITOR VICENTE LUSITANO

              O compositor Vicente Lusitano terá nascido em Olivença (então ainda parte do que viria a ser o estado espanhol), por volta de 1920, filho de pai português e mãe angolana e descrito, em fontes coevas, como ‘mestiço’ ou ‘pardo’. Presbítero do hábito de São Pedro, Lusitano é o primeiro compositor negro europeu de que há registo na história da música europeia e o primeiro compositor português cuja antologia foi publicada no estrangeiro. Mudou-se para Itália, passando por cidades como Pádua, Viterbo e Roma, onde escreveu, compôs e debateu, o que lhe terá valido uma reputação de teórico musical, sendo muita da sua música, até hoje, amplamente desconhecida. Morreu em Roma por volta de 1561. Recentemente, o grupo Arte Mínima deu voz ao projeto A Música Secreta de Vicente Lusitano com o objetivo de dar a conhecer os motetos da coleção Liber Primus Epigramatum, publicada em 1551, em Roma. 

              Referências

              1. Barbosa, M.A. (1977). Vicentus Lusitanus, Ein Portugiesischer Komponist und Musiktheoretiker des 16 Janhrhunderts. Lisboa: Secretaria de Estado da Cultura, Direção-Geral do Património Cultural.
              2. Blackburn, B.J. (2001). Lusitano, Vicente [Lusitanus, Vicentius], Oxford Music Online, https://www.oxfordmusiconline.com/search?q=Vicente+Lusitano&searchBtn=Search&isQuickSearch=true.
              3. Henriques, L. (2018). “Acerca do motete Heu me Domine de Vicente Lusitano”, Glosas online. http://glosas.mpmp.pt/motete-heu-me-domine-vicente-lusitano/
              4. Joaquim, M. (1951). “Um madrigal de Vicente Lusitano publicado no Libro delle Muse”. Gazeta Musical, 13-14.
              5. Machado, D. B. (1752). Bibliotheca Lusitana. Tomo III. Lisboa: Na Officina de Ignacio Rodrigues.
              6. Stevenson, R. (1962). Vicente Lusitano: New Light on his Career, Journal of the American Musicologist al Society 15/1, 72-77.
              7. Williams, H. (2022). O grande compositor negro do século 16 apagado da história, BBC News Brasil, 17 de julho [https://www.bbc.com/portuguese/vert-cul-62069401].
              8. https://www.vicentelusitano.org
              1523 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM CASTELO DE VIDE

              Referência

              1. Saunders, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
              1526 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM COIMBRA

              Referência

              1. Saunders, C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
              1528 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS EM MUGE

              Referência

              1. Saunders, C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
              1529 | INÍCIO DOS REGISTOS PAROQUIAIS DE NASCIMENTO, CASAMENTO E ÓBITO
              1536 a 1821 | Práticas culturais africanas foram neste período bastante perseguidas

              Práticas culturais africanas foram neste período bastante perseguidas e demonizadas, com lugar a queima de pessoas nos principais locais de julgamento das vilas.

              ANTERIOR A 1573 | INSTALAÇÃO DE PESSOAS ESCRAVIZADAS NA REGIÃO DO SADO

              Referências

              1. Almeida, M.C. (1956). Mulatos no Concelho de Alcácer do Sal. Subsídios para a definição étnica das gentes do Vale do Sado. Lisboa: Ramos, Afonso e Moita Limitada.
              2. BBC (2023). Descobertas arqueológicas obrigam Portugal a rever mito sobre escravidão, BBC, 27 de setembro.
              3. Carmo, M. et al. (2020). African knowledge transfer in Early Modern Portugal: Enslaved people and rice cultivation in Tagus and Sado rivers,  Studi di Storia Contemporanea44 (4), 44-66.
              4. Carvalho, A.R. (2009). Torrão do Alentejo: Arqueologia, História e Património (Volume 3) – Cronologia e Bibliografia. Alcácer do Sal: Junta de Freguesia do Torrão e Câmara Municipal de Alcácer do Sal.
              5. Castro Henriques, I. e Silva, J.M. (2020). Os “Pretos do Sado”: História e memória de uma comunidade alentejana de origem Africana (Séculos XV-XX). Lisboa: Edições Colibri.
              6. Chaínho, A.G. (2019). A escrava Domingas. Grândola: Batoto Yetu Portugal.
              7. Giacometti, M., LIMA, P. (2010). Ladrão do Sado – Inquérito Musical em Alcácer do Sal, Tradisom.
              8. Gomes, M.R.R. (2008). A ‘Ilha dos Pretos’: análise da fecundidade e ilegitimidade na freguesia de São Romão do Sadão entre 1679-1729, Archport, Universidade de Coimbra.
              9. Mango, V. (2013). Negros de Alcácer ou Mulatos da Ribeira do Sado, Comporta-Opina, Cultura e Lazer, Alcácer do Sal.
              10. Mendes, V. (s.d.). “Negros do Sado”, texto policopiado, Rio de Moínhos.
              11. Neto, M.C. (2004). O compromisso da confraria de Nossa Senhora do Rosário de Palma (Alcácer do Sal), Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, Série 122ª., nº. 1-12, pp. 89-93.
              12. Neto, M.C. (2002). Nótula sobre a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, Freguesia de São Romão, Memória Alentejana
              13. Neto, M.C. (2001). A Escravatura em São Romão do Sado, Memórias do Instituto de Malariologia de Águas de Moura – da luta anti-palúdica ao museu. Palmela: Câmara Municipal de Palmela e CEVDI- Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.
              14. Neto, M.C. (1996). Proprietários de escravos em São Romão do Sado, 1666-1765, Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, Série 114, nºs. 1-12, 159-163. Lisboa: Sociedade de Geografia.
              15. Neto, M.C. (1984). A população escrava entre 1603 e 1632 na freguesia de Santa Maria do Castelo (Alcácer do Sal) através dos livros de baptismo, Actas do 4º Congresso do Algarve, Montechoro, 213-219.
              16. Rau, V. (1984). Estudos sobre a história do sal português. Lisboa, Editorial Presença.
              17. Saunders, A.C. (1994). História social dos escravos e libertos negros em Portugal (1441-1555). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
              18. Vasconcelos, J. L. (1898). Mulatos de Alcácer do Sal, O Archeologo Portuguez, Tomo 1, março.
              19. Vasconcelos, J. L. (1895). Excursão archeologica a Alcacer-do-Sal, O Archeologo Português 1(3), 5-92.
              1600
              1689 | DIOGO FERNANDES FOGUEIRA RECEBE O TÍTULO DE CAVALEIRO DA ORDEM DE CRISTO

              Diogo Fernandes Fogueira, tio de Manuel Fernandes Fogueira, nascido em Moura, teve autorização para receber o título de cavaleiro da Ordem de Cristo, em 1689. Fogueira tinha uma extensa folha de serviços prestados em Portugal, nas armadas e na Índia. Embora fosse cavaleiro fidalgo da Casa Real, ele precisava de uma dispensa por falta de qualidade por parte do seu pai e dos seus avós paternos, jornaleiros, tal como Diogo havia sido. Sua avó paterna tinha sido padeira. Mas a mãe de Diogo era mulata. Nas palavras da Mesa da Consciência e Ordens, sua mãe e seu avô paterno descendiam de mulatos porque sua bisavó́ era negra. Nesse caso, foi concedida uma dispensa pelo impedimento de falta de qualidade (Dutra, 2011: 110).

              Referências

              1. Dutra, F.A. (2011). Ser mulato em Portugal nos primórdios da Época Moderna, Tempo, Rio de Janeiro, 30, 101-114.
              1701 a 1800 - Relatos de estrangeiros descrevem os vários grupos sociais

              Nos relatos de estrangeiros que visitaram Portugal descrevem-se os vários grupos sociais de modo genérico. Os de origens africanas chamavam a atenção. Circulavam nas ruas carregando até ao rio os dejetos e sujidades produzidas nas habitações, sem sanitários, ou realizando outras tarefas desprestigiantes. Resultado da miscigenação entre as camadas populares brancas e negros vindos de África ou do Brasil, pessoas mestiças também se destacam. Pessoas escravizadas ou forros partilhavam o dia-a-dia da população branca. Também os negros eram acusados de curandeirismo ou feitiçaria pela Inquisição ou cumpriam penas nas galés por
              ordem dos tribunais civis.

              1755, 1 de novembro | Grande Terramoto

              Em 1755, Lisboa tinha uma população de cerca de 250 000 habitantes. A população mourisca de Lisboa migra para a zona Oeste de Portugal, denominando-se região saloia e levando o seu conhecimento e experiência no negócio e na produção de animais e do trabalho na agricultura. As suas vestes mantiveram traços distintos que incluíam frequentemente o colete e o barrete. Aos mouros dos arredores de Lisboa dava-se antigamente o nome de Caloyos ou Saloios, nome tirado do nome da reza feita cinco vezes por dia, que se chamava “cala”.

              Em 1760, o italiano Giuseppe Barreti visita Lisboa e assinala também o elevado número de pessoas negras que habitam a cidade. Em 1801, existiriam em Lisboa cerca de 15.000 pessoas negras, num total de 220.000 moradores (Reginaldo, 2018: 1). Este fenómeno podia ser também observado em cidades como Porto, Faro e Évora. No entanto, de acordo com António de Almeida Mendes (2012), a presença de pessoas que haviam nascido em África ou era de origem africana representava 15% a 20 % da população de Lisboa, no século XVI.

              Referências

              1. Reginaldo, L. (2018). “Não tem informação”: mulatos, pardos e pretos na Universidade de Coimbra (1700-1771), Estudos Ibero-Americanos, 44 (3): 421-434.
              1790 | Culto ao "Santo Preto"

              Todos os primeiros finais de maio ou inícios de junho, tem lugar a “Festa das Cerejas”, em Gemunde, no concelho da Maia (Área Metropolitana do Porto). O nome serviu para escapar ao escrutinío da ditadura que proibiu o culto ao “Santo Preto”, jamais reconhecido pela Igreja. Reza a lenda que, em 1790, um proprietário de Guilhabreu, possivelmente o fidalgo Gonçalo Mendes, o Lidador da Maia, terá torturado um dos homens escravizados, seu criado, até à morte, na via pública. Ora, conta-se que Gonçalo Mendes terá avançado sobre uma mulher que mandara chamar a sua casa e que esta terá fugido, entrando numa seara; perante esta recusa, o Lidador da Maia terá ordenado a um conjunto de homens escravizados que queimasse a Seara de vários ângulos para que ela dali não saísse vive. Contudo, um dos homens recusa-se a fazê-lo, deixando-a escapar. Desautorizado o Lidador da Maia ordena a este homem que sele o seu cavalo e que o acompanhe às Festas da Boa Hora, amarrando-o ao cavalo, arrastando-o e desmembrando-o pelo atrito com o chão. Os populares, assistindo ao horror, coletam as diferentes partes do seu corpo e sepultam-no em Gemunde, num local que ficaria conhecido como a “Campa do Preto”. O culto ao Santo Preto ampliar-se-ia, sendo celebrado até aos dias de hoje. 

              Referências

              1. Câmara Municipal da Maia (s.d.). A Campa do Preto [https://www.cm-maia.pt/cultura/estorias-e-memorias/publicacoes/a-campa-do-preto].
              2. Perdida na História (2011). A campa do Preto, 18 de dezembro. [http://perdidanahistoria.blogspot.com/2011/12/campa-do-preto.html]
              3. Revolucionários Castêlo (2008). Lenda da Campa do Preto. 28 de fevereiro. [https://revolucionariosdocastelo.blogs.sapo.pt/3934.html]
              4. Santos, A. (2022). Arrancam hoje as Festas Campa do Preto e Cerejas na Maia, Notícias Primeira Mão, 27 de maio. [https://noticiasprimeiramao.pt/arrancam-hoje-as-festas-campa-do-preto-e-cerejas-na-maia/]
              5. Vieira, A.B. (2023). Preto sobrevive a memória de um Na Campa do “santo” escravo que a ditadura quis apagar, Público, 31 de outubro. [https://www.publico.pt/2023/10/31/p3/noticia/campa-preto-sobrevive-memoria-santo-escravo-ditadura-quis-apagar-2068675 ]

               

              Idade Contemporânea

              C
              Idade Contemporânea
              1791 | INÍCIO DA REVOLUÇÃO DE SÃO DOMINGO (HAITI)

              A Idade Contemporânea é entendida como o período compreendido entre a Revolução Francesa (1789-1799) e a e atualidade. Contudo, é importante sublinhar que esta cronologia eurocêntrica da história silencia a Revolução de São Domingo (hoje, Haiti), onde, entre 1791 e 1803, os jacobinos negros se insurgiram vitoriosamente contra a escravatura e o colonialismo do Império Francês, consolidando-se como a Primeira República Negra da história. Sublinhe-se o papel central da resistência cultural, nomeadamente religiosa, já que é na noite de 22 de Agosto, após o Bwa Kayiman – cerimónia de voodoo na qual a insurreição foi sendo arquitetada – que começa a revolução. Tanto resistência como a correspondente repressão ecoariam um pouco por todo o mundo.

              Referências

              1. Alves, A.R. (2019). Um silêncio ensurdecedor: a resistência como memória impossível | Silence is a sound: resistance as an (im)possible memory. In B. S. Martins, A. C. Santos & S. Lopes (org.), As sociedades contemporâneas e os direitos humanos | Contemporary societies and human rights. Brasil: Editus
              2. James, C.L.R. (1989). The Black Jacobins: Toussaint L’Ouverture and the San Domingo
                revolution. New York: Vintage Books.
              3. Small, S. & Walvin, J. (2012). African Resistance to Enslavement. In M. Schalkwijk & S. Small (eds.), New Perspectives on slavery and colonialism. Amesterdam: Amrit/Ninsee, 41-49.
              1821, 16 de fevereiro | Foi apresentado um projeto de lei autorizando judeus

              Logo em 16 de fevereiro de 1821 foi apresentado um projeto de lei autorizando judeus (por vezes chamados de judeus negros) e mouros a regressar a Portugal, com todos os privilégios e direitos que a legislação medieval outrora lhes garantira. Portugal reabria-se assim ao regresso da comunidade judaica. Regresso já iniciado em finais do século XVIII. Provenientes de Gibraltar, de Marrocos e de outras regiões algumas famílias estabeleceram residência no Continente português e nas Ilhas. Várias firmas comerciais iniciaram atividade. Até 1851, centenas de indivíduos justificaram a existência de sinagogas e cemitérios próprios.

              1822 | INDEPENDÊNCIA DO BRASIL
              1837-1889 | Roberto Duarte Silva

              Duarte Silva foi aprendiz de farmácia, migrou para Lisboa para trabalhar na Farmácia Azevedo e estudou na Escola de Farmácia da Universidade de Lisboa, onde se licenciou. Viveu alguns anos em Macau e Hong Kong onde fundou a sua farmácia. Estudou no laboratório de Charles Adolphe Wurtz e conseguiu a síntese total da glicerina no laboratório de Charles Friedel. Em 1863 foi viver para Paris, onde ensinou química analítica em várias instituições. Em 1885 foi galardoado pela Academia Francesa de Ciências e tornou-se Presidente da Sociedade Química de França, em 1887. Há uma rua com o seu nome em São Domingos de Benfica, Lisboa.

              Referências

              1. Cape Verde History Unearthed (2014). “The Chemist Roberto Duarte Silva”, 26 de Dezembro. [ https://capeverdeanhistoryunearthed.com/2014/12/26/the-chemist-roberto-duarte-silva/]
              2. Cape Verdean Museum (2024). Roberto Duarte Silva, Facebook, 25 de Fevereiro [https://www.facebook.com/capeverdeanmuseum/posts/916995466881859]
              1839 | HERCULANO MERCÊS É INDICADO PARA PROFESSOR DE MÚSICA DO CONSERVATÓRIO

              Não se sabe, com exatidão, quando terá nascido Herculano Firmino das Mercês, músico e “um dos mais brilhantes” professores de dança de salão da década de 1830, na cidade de Lisboa. Embora não possa atestar-se até que idade viveu, de acordo com Aristóteles Kandimba (2021). Herculano das Mercês terá sido indicado para professor do Conservatório Nacional de Lisboa, em 1839.

              Referências

              1. Kandimba, A. (2021). A Balada de Herculano Mercês: Uma obra sobre um dos maiores mestres das danças de salão da década de 1830 em Lisboa. Lisboa: Edição de Autor.
              1857 | NASCIMENTO DE CARLOS JOAQUIM TAVARES

              Carlos Joaquim Tavares foi um médico angolano, que se deslocou para estudar, primeiro na Escola Politécnica de Lisboa e, em 1882, na Escola Médico Cirúrgica, tendo-se então destacado como brilhante aluno. De acordo com Jorge Almeida (2020), Carlos Tavares foi nomeado médico da Real Câmara, em 1894 – por intervenção de Carlos Lobo d’Ávila, ministro, seu amigo e admirador – tornando-se um dos médicos do Rei D. Carlos. Foi ainda o médico escolhido pelo Príncipe Luís Filipe quando este visitou os territórios africanos ocupados, em 1907, parte da Comissão Revisora da Farmacopeia, Vice-Presidente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa e Diretor da Sociedade de Banhos de São Paulo. Morreu em Lisboa, em 1912.

              Referências

              1. A Capital (1913). Falecimento – Dr. Carlos Joaquim Tavares, Ano 3, Número 921, 23 de fevereiro.
              2. A Voz D’África (1913). Dr. Carlos Joaquim Tavares, 1 de março.
              3. Almeida, J.F. (2020). O Médico Negro do Rei, Buala, 2 de abril. [https://www.buala.org/pt/a-ler/o-medico-negro-do-rei]
              4. Barata, J. (2008). Uma Nosografia de D. Carlos I no centenário do regicídio, Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna 15 (2), 141-145.
              5. Bastos, C. (2015). Entre dois mundos: Thomaz de Mello Breyner e a clínica de sífilis do Desterro, Lisboa. In G. Sanglard et al.(org). Filantropos da Nação. Rio de Janeiro, Editora FGV, 113-132.
              6. Camacho, B. (1928), Gente Vária. Lisboa: Guimarães & Cia.
              7. Gama, P.S. (2018). Médicos de Lisboa – Alunos da escola Médico-cirúrgica de Lisboa 1837-1889, Tese de Doutoramento, Escola de Sociologia e Políticas Públicas, ISCTE-IUL. Lisboa, Portugal.[https://repositorio.iscte-iul.pt/bitstream/10071/19814/1/PhD_Patricia_Sanches_Gama.pdf
              8. Guimarães, A. (1987). Imperialismo e Emoções- A Visão de Bordallo Pinheiro”, Sociologia 2, 157-182.
              9. Machuqueiro, P. (2013). “Nos bastidores da corte”: O Rei e a Casa Real na crise da Monarquia 1889-1908 – Anexos, Tese de Doutoramento, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Universidade Nova de Lisboa. Lisboa, Portugal.
              10. Ramalho, M.M. (2018). Thomaz de Mello Breyner – Relatos de uma Época do Final da Monarquia ao Estado Novo. Lisboa: Imprensa Nacional.
              11. Silva, J. Martins (2002a). Anotações sobre a história do ensino da Medicina em Lisboa, desde a criação da Universidade Portuguesa até 1911 – 2º parte e conclusão, Revista da Faculdade de Medicina de Lisboa, Série III, Volume 7, número 5, 237-249.
              12. Silva, J. Martins (2002b). Anotações sobre a história do ensino da Medicina em Lisboa, desde a criação da Universidade Portuguesa até 1911 – 2º parte e conclusão”, Revista da Faculdade de Medicina de Lisboa, Série III, Volume 7, Número 6, 305-314.
              13. Tavares, Carlos (1899). Dr. Manuel Bento de Souza, Brasil-Portugal, Número 8, 16 de maio.
              1859 | NASCIMENTO DE FERNANDA DO VALE (ANDREZA DO NASCIMENTO)

              Andreza do Nascimento (1859–1927), Fernanda do Vale (ou mesmo, Preta Fernanda) ficou eternizada, sendo sua a imagem aos pés da estátua do Marquês de Sá da Bandeira, em Lisboa. Foi popularizada na boémia lisboeta ora no circuito da prostituição, ora entretendo audiência vestida de toureira.

              Referências

              1. Cardoso, M.D. (2017). Do apartheid envergonhado à “Preta Fernanda”: o rasto de África nas ruas de Lisboa, Público, 25 de março.
              2. Cardoso, P. (s.d.). Biografia ou sátira racista? Viagem pelas recordações da Preta Fernanda, Afrolink [https://afrolink.pt/biografia-ou-satira-racista-viagem-pelas-recordacoes-da-preta-fernanda/]
              3. Expresso das Ilhas (2017). Ar livre: A preta Fernanda no coração do império, Expresso das Ilhas, 20 outubro.[https://expressodasilhas.cv/opiniao/2017/10/20/ar-livre-a-preta-fernanda-no-coracao-do-imperio/55003#:~:text=Fernanda%20do%20Vale%20inspirou%20uma%20biografia%20romanceada%20sobre,din%C3%A2mica%20da%20prostitui%C3%A7%C3%A3o%20colonial%20no%20cora%C3%A7%C3%A3o%20do%20imp%C3%A9rio]
              4. Expresso das Ilhas (2017). Debaixo da nossa Pele IV: Retrato de Uma Senhora, Expresso das Ilhas, 8 agosto 2017. [https://expressodasilhas.cv/opiniao/2017/08/08/debaixo-da-nossa-pele-iv-retrato-de-uma-senhora/54219]
              5. Fernandes, C. (2021). Pode o/a subalternizado/a recordar? – uma análise das recordações de Fernanda do Vale. Revista De Comunicação e Linguagens [https://rcl.fcsh.unl.pt/index.php/rcl/article/view/117]
              6. Guinote, P. (2002). The Old Bohemian Lisbon (c. 1870 – c. 1920): Prostitutes, Criminals and Bohemians, Portuguese Studies18, 71-95.
              7. Hatton, B. (2018). Queen of the Sea: A History of Lisbon. Oxford University Press. pp. 108–109.
              8. Monteiro, J.S. et al. (2018). Preta Fernanda, Testemunhos da Escravatura: A Memória Africana no Museu de Lisboa. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa.
              9. Simões, D.G. (2018). Recordações d’uma colonial: autobiografia credível ou sátira racista?, Rev. Interd. em Cult. e Soc. 4, 97-110.
              10. Totta, A. e Machado, F. (2022). Recordações d’uma Colonial (Memórias da preta Fernanda). Lisboa: Sistema Solar.
              11. Vale, F., Totta, A. & Machado, F. (1912). Recordações d’uma colonial (memorias da preta Fernanda). Wentworth Press.
                1864 | NASCIMENTO DO POETA CAETANO DA COSTA ALEGRE

                Caetano da Costa Alegre é considerado o primeiro poeta africano a escrever, em português, sobre o tema da negritude. Nascido em São Tomé e Príncipe, em 1864, Alegre mudou-se com a família para Portugal em 1882, onde iniciou os seus estudos na Faculdade de Medicina de Lisboa, vindo a falecer, precocemente, em Alcobaça, em 1890. Contudo, a sua poesia viria a ser compilada e publicada postumamente no livro Versos (1916), pelo seu amigo, o jornalista Artur da Cruz Magalhães. Os seus restos mortais foram depositados no Cemitério dos Prazeres, onde já jazia Gonçalves Crespo (1846-1883), também poeta negro, e os da sua mulher Maria Amália Vaz de Carvalho (1847-1921). Contudo, só os restos dos dois últimos foram transladados para o jazigo dos escritores.

                Referências

                1. Ambrósio, A. (1973).  Almada de Negreiros e Costa Alegre, o poeta de São Tomé. Bissau: s.n.
                2. Bianchi, B. (1976). Caetano da Costa Alegre: Poetic Resolution of a Color Dichotomy. Lisboa: s.n.
                3. Costa Alegre, A. (1916). Versos. Lisboa: Livraria Ferin.
                4. Rodrigues, L (1969). O Livro de Costa Alegre: o poeta de São Tomé e Príncipe. Lisboa : Agência-Geral do Ultramar.
                5. Cardoso, J.M. (2011). Tuberculose mata Costa Alegre”. Tela Non (in portuguese). 30 de abril.
                6. A. (2011). “A imprensa: revista científica, literária e artística (1885-1891)”,
                7. A. (2011). “A Leitura: magazine litterario (1894-1896)., digital copy at Hemeroteca Digital
                8. A. (2011). “Portuguese Colonial Literature”. Alguns poemas de Caetano da Costa Alegre, [http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_africana/s_tome_princepe/caetano_de_costa.html].
                9. Blogdaruanove (2010). Literatura Colonial Portuguesa, 27 de outubro, [https://literaturacolonialportuguesa.blogs.sapo.pt/7316.html].
                1867 | NASCIMENTO DE JOSÉ DE MAGALHÃES

                José de Magalhães nasceu em Angola, em 1867, tendo viajado, com a sua família, para Portugal, onde se tornou médico e, mais tarde, professor e diretor do Instituto de Medicina Tropical. Contudo, a sua atividade estendeu-se também à esfera da política, tendo fundado a Junta de Defesa dos Direitos de África, a Liga Africana e participado no Congresso Pan-Africano de Lisboa, onde este o renomado intelectual estado-unidense W. E. B. Du Bois. José de Magalhães colaborou igualmente com um conjunto de periódicos e revistas tendo sido eleito à Assembleia da República, em 1922, como representante de São Tomé – tornando-se, assim, o segundo deputado afrodescendente da história de Portugal. Faleceu, em Lisboa, em 1959.

                Referências

                1. Varela, P. (2020). Os dois deputados negros da Primeira República, Afrolink. [https://afrolink.pt/os-dois-deputados-negros-da-primeira-republica-por-pedro-varela/]
                1882 | NASCIMENTO DE GEORGINA DE CARVALHO RIBAS

                Georgina Ribas, nasceu em Angola, filha de um comerciante brasileiro e de mãe angolana, descendente do Barão de Cabinda – Manuel José Puna. Chegou a Portugal com 3 anos e diplomou-se no Conservatório Nacional de Lisboa. Casou-se com Tomaz de Sousa Ribas e dessa relação nasceram três filhos: Maria Emília Ribas – escreveu um conto infantil “O Preto” –, Piedade de Carvalho Ribas e Tomaz Ribas, homem do teatro e da dança, professor no Conservatório. Além de pianista, Georgina Ribas foi parte da direção do Partido Nacional Africano e secretária do Conselho da Liga das Mulheres Africanas (Roldão, Pereira e Varela, 2023: 119-120).

                Referências

                1. Roldão, C. (2019). Feminismo negro em Portugal: falta contar-nos, Público, 18 de janeiro.  [https://www.publico.pt/2019/01/18/culturaipsilon/noticia/feminismo-negro-portugal-falta-contarnos-1857501.
                2. Roldão, C; Pereira, J.A. & Varela, P. (2023). Tribuna Negra: Origens do Movimento Negro em Portugal 1911-1933. Lisboa: Tinta da China.
                3. RTP (1980), O que eu gostaria de ter sido – Entrevista a Tomaz Ribas, RTP, 3 de março [https://arquivos.rtp.pt/programas/o-que-eu-gostaria-de-ter-sido/#:~:text=O%20que%20eu%20Gostaria%20de%20Ter%20Sido%3F%20S%C3%A9rie,sido%20profissionalmente%20e%20o%20que%20fazem%20na%20realidade.]
                  1883 | NASCIMENTO DE DOMINGAS LAZARY DO AMARAL

                  Domingas Lazary do Amaral, nasceu em Angola, em 1883, membro da denominada ‘elite crioula’, como eram apelidados os descendentes de portugueses brancos emigrados nas colónias. Segundo Sílvia Espírito Santo (2019), por mérito, Domingas Lazary ganha uma bolsa para estudar em Portugal onde se inicia na loja maçónica ‘Humanidade do Direito Humano’ sob o nome Heloísa d’ Abelardo, regressando depois a Luanda onde casa com Sebastião José do Amaral e funda o Colégio Infantil de Luanda e adere à Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, em 1908. De facto, Domingas Lazary do Amaral, “partilhava com muitos angolanos a convicção de que o novo regime, a fazer fé no seu ideário, se iria opor à ‘discriminação baseada na cor da pele, filiação ou lugar de nascimento’ (Santo, 2019: 42). Depois de pontes áreas intensas entre Lisboa e Luanda, Domingas Lazary do Amaral fixa-se em Lisboa, em 1918, “onde passa a dar aulas e a escrever artigos para a Alma Feminina, boletim oficial no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP)” (Ibidem). Pedagoga, Domingas Lazary do Amaral, advogará pelo direito das pessoas indígenas à educação profissionalizante, assim como pela autonomia de Angola. Contudo “a sua visão do colonialismo como um sistema que promovia o desenvolvimento dos indígenas não terá destoado muito da visão das elites feministas do seu tempo” (Idem: 43). Uma década volvida, regressa a Luanda, em 1929, e afasta-se da vida pública. Não obstante volte a Lisboa para acompanhar a sobrinha Maria Piedade Lazary de Matos, após o falecimento desta, Domingas passa algumas dificuldades financeiras e acaba por morrer a 4 de junho de 1954.

                  Referência

                  1. Ferreira, E.M. (2015). Cidadania em Angola: A saga de Domingas Lazary do Amaral, Lisboa, Quod.
                  2. Santo, S.E. (2019). Domingas Lazary do Amaral: ‘Uma querelada pela liberdade de imprensa’, Ex aequo 39, 39-53.
                  1884 | Conferência de Berlim

                  Conferência de Berlim e partilha da África pelas potências coloniais europeias. Conferência inicialmente idealizada por Portugal no seguimento da proposta do mapa cor-de-rosa e da anexação dos territórios pelos ingleses entre Angola e Moçambique.

                  1869 | Abolição da Escravatura: um longo caminho

                  19 de Setembro 1761 | Proibição de Introdução de Novas Pessoas Escravizadas na Metrópole 

                  25 de Maio 1773 | Lei do Ventre Livre

                  10 de Dezembro 1836 | Proibição do Tráfico de Pessoas Escravizadas em todos os Domínios do Império Português

                  27 de Fevereiro 1869 | Abolição da Escravatura em todos os Domínios do Império Portugês

                  Referências

                  1. Alexandre, V. (1991). Portugal e a abolição do tráfico de escravos (1834-51)Análise SocialXXVI (111), p. 293-333.
                  2. Cunha, M. S. (coord.) (2021). Resistências, Insubmissão e Revolta no Império Português. Alfragide: Casa das Letras.
                  3. Fonseca, J. (2006). A raia luso-castelhana, espaço de cativeiro e de luta pela liberdade (Séculos XVI-XVII), Revista de Estudios Extremeños LXII (II), 725-738.
                  4. Lahon, D. (1999). O Negro no Coração do Império. Uma memória a resgatar – Séculos XV a XIX. Lisboa: Ministério da Educação. Secretariado Coordenador dos Programas de Educação Multicultural.
                  5. Marques, J.P. (2008). Sá da Bandeira e o Fim da Escravidão: Vitória da Moral, Desforra do Interesse. Lisboa: Instituto de Ciências Sociais.
                  6. Marques, J.P. (2004). Portugal e o fim da escravidão: uma reforma em contraciclo,Africana Studia 7, pp. 137-161.
                  7. Marques, J.P. (2001). Uma cosmética demorada: as cortes perante o problema da escravidão (1836-1875),Análise Social XXXVI (158-159), pp. 209-247.
                  8. Marques, J.P. (1999). Os sons do silêncio: o Portugal de Oitocentos e a abolição do tráfico de escravos. Lisboa: Instituto de Ciências Sociais.
                  9. Mendes, A. A. (2016). “Escravidão e raça em Portugal: uma experiência de longa duração”. In Myriam Cottias et Hebe Mattos (dir.), ESCRAVIDÃO E SUBJETIVIDADES no Atlântico luso-brasileiro e francês (Séculos xvii-xx). Marselha: OpenEdition Press. 
                  10. Ministério da Marinha (1889). Memória acerca da Extinção da Escravidão e do tráfico de escravatura no território português. Lisboa: Ministério da Marinha.
                  1896 | Chegada de Gungunhana a Lisboa

                  A 13 de março de 1986 chega a Lisboa Gungunhana – o “Rei de Gaza” – capturado, em Moçambique, por Mouzinho de Albuquerque, a 28 de dezembro de 1895, acompanhado por familiares e conterrâneos. Gungunhana foi objeto de imensa curiosidade por parte da população e dos media aquando da sua passagem e permanência em Lisboa, na prisão de Monsanto, até viajar para a ilha Terceira onde morreria em 1906. Contudo, a “memória dos africanos perpetuou-se na Terceira, através da descendência de Zixaxa”, um dos moçambicanos capturados e mantidos em cativeiro, mais tarde assimilidos (Enes, 2018: 24).

                  CRU000195 | Chegada de Gungunhana ao Arsenal de Marinha [Lisboa, 1896-03-13]

                   In Enes, 2018

                   In Enes, 2018

                  Referências

                  1. Arquivo Fotográfico de Lisboa.
                  2. Enes, C. (2018). Gungunhana nos Açores, Álbum Terceirense. Volume IV. 11-26. Angra do Heroísmo: Instituto Açoriano de Cultura.

                  1899 | Nascimento de Mário Domingues

                  Referências

                  1. Domingues, M. (2023). A Liberdade não se concede, conquista-se. Que a conquistem os negros! Antologia de Textos da Batalha. Lisboa: Falas Afrikanas, Letra Livre e A Batalha.
                  2. Domingues, M. (2018). Má Raça. Comédia em 3 Atos. Lisboa: Falas Afrikanas.
                  3. Domingues, M. (1960). Menino entre Gigantes. Lisboa: Prelo.
                  4. Domingues, M. (1929). O Preto do Charleston. Lisboa: Guimarães & Ca..
                  5. GARCIA, J.L. (org.) (2022). A afirmação negra e a questão colonial. Textos, 1919-192 Lisboa: Tinta da China.
                  6. Garcia, J.L. (2017). The First Stirrings of Anti-Colonial Discourse in the Portuguese Press. In J. L. Garcia, J.L. et al. (eds.), Media and Portuguese Empire. London: Palgrave Macmillan, 125-143.
                  7. Pereira, P. (2023). Mário Domingues, Ferreira de Castro e a “linha de cor” nas letras portuguesas, Revista Brasileira de História 43 (93), 105-129.
                  8. Roldão, C; Pereira, J.A. & Varela, P. (2023). Tribuna Negra: Origens do Movimento Negro em Portugal 1911-1933. Lisboa: Tinta da China.
                  1890 a 1914 – Emigração portuguesa para África

                  A emigração portuguesa para África rondou os 2000 emigrantes anuais e raramente chegou a representar 6% do total. Nessa migração para áfrica e américa do sul estavam portugueses de origens africanas nascidos em portugal.
                  A grande maioria dos emigrantes – 59% dos homens e 87% das mulheres era analfabeta. Procuravam melhores condições de vida e amealhar dinheiro para constituir família; filhos de viúvas ou enjeitados, em situações desesperadas conseguiam que um padrinho lhes pagasse a passagem para o Brasil; agricultores arruinados procuravam fugir à proletarização; rapazes pobres, aspirantes a noivas de condição superior, homens ambiciosos. O fascínio do prestígio dos poucos brasileiros que regressavam ricos, compravam quintas, construíam palacetes, adquiriam comendas e distribuíam patacas pelos parentes pobres, levava os portugueses a emigrar!
                  Muitos negros encontravam-se em situação de semiescravatura, na primeira metade do século. Viviam sobretudo em Lisboa, Porto e Setúbal, cidades onde se empregavam em serviços domésticos. O seu número diminuía e eram substituidos por mão de obra galega m algumas regiões como o bairro do mokambo na cidade de lisboa. Serviam também como caiadores ambulantes de casas ou como picadores de touros nas arenas.

                  1900's | A Lisboa Africana e Negra na Viragem do Século

                  1902 | Nascimento do Pugilista José Soares Santa “Camarão”

                  Segundo a historiadora Cláudia Castelo, “os estudos disponíveis […] quase não abordam o período posterior à abolição da escravatura ou fazem-no de forma insuficiente. As dinâmicas africanas no Portugal novecentista, quando aparecem, são quase sempre reduzidas às decorrentes do movimento migratório da descolonização, como se africanos e afrodescendentes tivessem estado ausentes do espaço europeu, reemergindo apenas após 1974/75 e sobretudo nas décadas de 1980 e 1990, período de crescimento e diversificação da imigração africana em Portugal (2022: 132).

                  Na senda do repto de Castelo, podemos encontrar no Arquivo Fotográfico de Lisboa, um conjunto de fotografias que atestam esta presença na capital do país, na viragem do século XX, em conjunto com outras histórias disperas em livros, artigos e notícias:

                  O Alfarrabista Pires [Rua Santa Maria Maior, Lisboa, 1907]

                  Gustavo Couto, Cónego da Sé Patriarcal de Lisboa [Largo, Santa Maria Maior, Lisboa, 1907]

                  Crianças e aguadeiros no chafariz d’ El Rei [Lisboa, 1907-03] 

                  1904 | Primeiro Grémio de Africanos em Lisbo

                   

                  Referências

                  1. Arquivo Fotográfico de Lisboa.
                  2. Castelo, C. (2022). Africans and Afrodescendants in the Portuguese metropole (twentieth century): a return to the “imperial archive”. Portuguese Literary and Cultural Studies34-35 (2022): 131-150.
                  3. Roldão, C., Pereira, J. e Varela, P. (2023). Tribuna Negra: Origens do Movimento Negro em Portugal 1911-1933. Lisboa: Tinta da China.
                  4. Maçarico, L.F. (2003). Com o Mundo nos Punhos: Elementos para uma Biografia de José Santa Camarão. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa
                  1910's | A Lisboa Africana e Negra: a política como quotidiano

                  1910 | Comissão Permanente dos Filhos de São Tomé e Príncipe

                  1911 | Associação dos Estudantes Negros

                  1911 | Lançamento do Jornal O Negro

                  1912 | Junta de Defesa dos Direitos de África

                  1912-1913 (e depois 1927-1930) | Jornal A Voz de África 

                  1913 (e depois 1931-1932) | Jornal Tribuna d’África 

                  1914-15 | Jornal O Eco D’África

                  1915 | Jornal Portugal Novo 

                  1916-1918 | Jornal A Nova Patria

                  1918 | Eleição de João De Castro – Primeiro Deputado Negro em Portugal

                  João Monteiro de Castro nasceu em 1887, no seio de família santomense de classe média, socialista e pan-africanista comprometida com a defesa dos direitos das pessoas “indígenas” no espaço, então, colonial. Nomeadamente os seus irmãos, Heliodoro e de Arthur Monteiro de Castro, foram membros das primeiras associações de estudantes africanos em Portugal, tais como a Associação de Estudantes Negros e a Liga Académica Internacional dos Negros. No seu encalce, depois da mudança para Portugal, onde viveu em Coimbra e Lisboa, chegando a ingressar na Universidade de Direito de Coimbra, João de Castro toma parte de um conjunto de iniciativas pan-africanistas, como a Junta de Defesa dos Direitos de África, o Partido Nacional Africano ou o Movimento Nacionalista Africano; foi também redator e dirigente de várias publicações de relevo. como a Voz d’África, a Tribuna d’África e África. E, em 1918, é eleito como o primeiro deputado afrodescendente na Assembleia da República Portuguesa, em representação de São Tomé e Príncipe, pelo Partido Socialista. Vira a falecer em 1955.

                  1919 | Fundação do Jornal A Batalha

                  Referências

                  1. Garvey, M. (5 de dezembro de 1995). The Marcus Garvey and Universal Negro Improvement Association Papers, Vol. IX: Africa for the Africans June 1921-December 1922(em inglês). [S.l.]: University of California Press
                  2. Pereira, J.A. & Varela, P. (2020). As Origens do Movimento Negro em Portugal (1911-1933): uma geração pan-africanista e antirracista, Revista História 179. [https://www.revistas.usp.br/revhistoria/article/view/159242]
                  3. Roldão, C; Pereira, J.A. & Varela, P. (2023). Tribuna Negra: Origens do Movimento Negro em Portugal 1911-1933. Lisboa: Tinta da China.
                  1920´s

                  1920 (a 1924) | Liga Africana

                  1921 | Jornal O Protesto Indígena 

                  1921 | Nascimento de Francisco José Tenreiro

                  Francisco José Tenreiro nasce e escrever sob as consequências do jugo colonial em São Tomé e Príncipe, em particular sobre a exploração laboral sob o regime do contrato que marcaram definitivamente a história do país. Contudo, filho de pai português e mãe angolana, Francisco passou grande parte da sua vida em Lisboa, onde se doutorou em geografia, foi professor no hoje ISCSP, Fundador do Centro de Estudos Africanos da Universidade Lisboa e deputado na Assembleia, em representação de São Tomé e Príncipe.

                  Entre as suas obras, destacam-se os dois volumes de poemas, Ilha de nome santo (1942) e Coração em África (1964), bem como Panorâmica da literatura norte-americana (1945) e a antologia (com Mário Andrade), Poesia negra de expressão portuguesa (1958).

                  1921-1923 e 1924 | Correio de África

                  1923 | Congresso Pan-Africano Lisboa

                  1929 | Liga das Mulheres Africanas

                  1929 | Grémio dos Africanos

                  1929 | Ké-Aflikana

                  Referências

                  1. Du Bois, W.E.B. (1924), “Pan Africa in Portugal”. The Crisis, vol. 27, n. 4, February, 170.
                  2. Mata, I. (org.) (2010). Francisco José Tenreiro: As Múltiplas Faces de um Intelectual. Lisboa: Colibri.
                  3. Roldão, C; Pereira, J.A. & Varela, P. (2023). Tribuna Negra: Origens do Movimento Negro em Portugal 1911-1933. Lisboa: Tinta da China.
                  1930's

                  1930-1932 | Jornal A Mocidade Africana

                  1931 (e 1932-1933) | Jornal Africa

                  1931 (a 1933) |Jornal Movimento Nacionalista Africano

                  1932 | Jornal Africa Magazzine 

                  1932 | Jornal Hoje 

                   

                  Referências

                  1. Roldão, C; Pereira, J.A. & Varela, P. (2023). Tribuna Negra: Origens do Movimento Negro em Portugal 1911-1933. Lisboa: Tinta da China. 
                  1939 a 1945 – II Guerra Mundial

                  Lisboa foi porta de saída da Europa em guerra. Aqui se estabeleceram pessoas de muitas nacionalidades como britânicos ou alemães e procuraram obter visto de viagem muitos judeus.

                  1940's

                  1940 | Publicação do Livro Mouros, Judeus e Negros na Historia de Portugal, de J. A. Pires de Lima

                  1940 | Publicação da Comunicação apresentada no Congresso Nacional de Ciências da População, “A Influência dos Mouros, Judeus e Negros na Etnografia Portuguesa”

                  1942 | NASCIMENTO DE EUSÉBIO DA SILVA FERREIRA

                  Eusébio da Silva Ferreira, conhecido como ‘Pantera Negra’ ou ‘Rei’ é um dos mais renomados jogadores da história do futebol português, tendo feito grande parte do seu percurso no Sport Lisboa e Benfica. Luso-moçambicano, nasceu em 1942, e seria considerado, pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol, como um dos melhores futebolistas de sempre. Por tudo isto, os seus restos mortais foram transladados para o Panteão Nacional, em 2015, sendo a primeira pessoa negra, a ser homenageado neste espaço.

                  1944 – Criação da Casa de Estudantes do Império (CEI)

                   Referências

                  1. Castelo, C. (2010). A Casa dos Estudantes do Império: lugar de memória anticolonial. Trabalho apresentado no 7.º Congresso Ibérico de Estudos Africanos, Lisboa.
                  2. Castelo, C. (1997). “Casa dos Estudantes do Império (1944-1965): uma síntese histórica”, Mensagem: número especial, 23-29.
                  3. Castelo, C. & Jerónimo, M.B. (org.) (2017). Casa dos Estudantes do Império: Dinâmicas Coloniais, Conexões Transnacionais. Lisboa: Edições 70.
                  4. Domingos, N. (2014). O lugar de Eusébio na “grande sociedade portuguesa”. In V. A. Melo et al. (eds.), Esporte, cultura, nação, Estado – Brasil e Portugal. Rio de Janeiro: 7 Letras, 156-171.
                  5. Domingos, N. (2020). Eusébio, o lusotropicalismo e a globalização dos ídolos desportivos. In Fiolhais, C. et al. (coord.), História Global de Portugal. [S.l.]: Círculo de Leitores, 625-631.
                  6. Malheiro, J. (2005). Eusébio – A Minha História. Lisboa: Quidnovi.
                  1950's
                  1960's

                  1961 | Início da Guerra pela independência dos países sob jugo colonial português (Huambo, Angola)

                  1967 | Arlindo de Jesus Brito, Primeiro Motorista Negro da Carris

                  1960 a 1970 – Vaga de emigração portuguesa

                  Vaga de emigração portuguesa, motivada pela crise do setor agrícola, a incapacidade de os setores económicos absorverem a população rural que abandonava os campos, a repressão política pela ditadura e a fuga à guerra colonial. Vinda de migrantes ou refugiados das ex-colónias africanas.

                  1974 | 25 de abril

                  Revolução dos Cravos iniciada pelos dirigente africanos que pretendiam a independência dos países ainda sob jugo colonial. A própria mensagem/musica de inicio da revolução em Portugal dá-se na zona do país com maior espirito revolucionário e de luta contra a exploração laboral ou escrava da região de forte presença africana que é o vale do sado, e mais especificamente a cidade de Grândola que é morena na canção pela sua forte presença ancestral africana. Apogeu nos 10 anos seguintes das migrações africanas em grande número para Portugal.

                   

                  Alfredo Cunha, Revolução de 25 de Abril de 1974 [Lisboa, 1974-04-25]

                  Alfredo Cunha, Revolução de 25 de Abril de 1974 [Lisboa, 1974-04-25]

                  FONTES E REFRÊNCIAS 

                  ARQUIVO FOTOGRÁFICO DE LISBOA.

                  1975 | Refugiados das guerras coloniais, migrações económicas
                  1980's

                  1987.02.17 | Criação da AGUINENSO – Associação Guineense de Solidariedade Social

                  1988 | Edição do Livro “Os Negros em Portugal: Um passado Silencioso”, de José Ramos Tinhorão. O livro seria reeditado em 2019, espelhando o crescimento do debate sobre os legados da presença africana e negra no país.

                  José Ramos Tinhorão, publicou, em 1998, Os Negros em Portugal: Uma Presença Silenciosa, um livro que se demora na contextualização histórico-política do papel de Portugal na inauguração da escravatura transatlântica e no mapeamento da presença negra no país, desde os finais do século XV aos finais do século XVI. O trabalho de Tinhorão é, por isso mesmo, basilar para compreender a extensão o número dessa presença nas mais diversas latitudes do país olhando tanto para a vida social das pessoas escravizadas através do trabalho, do território, da religiosidade, da política e das artes performativas, como também a estratégia política e as narrativas por parte das classes brancas dominantes através do uso da diplomacia, da promulgação de legislação e da elaboração de narrativas literárias, teatrais ou linguísticas que responsáveis pela ridicularização, desumanização e subalternização das pessoas escravizadas. Importante, ao longo do livro, o autor nomeia um conjunto de pessoas negras relevantes para a história do país, mostrando como esta presença duradoura influenciou a língua, as artes e a cultura de um modo geral, já que a partir de determinada altura as pessoas negras estavam perfeitamente integradas na malha social da cidade de lisboa, coabitando e relacionando-se com a classe baixa branca portuguesa, em bairros como Alfama, Mouraria ou Madragoa – e, como tal, com eles coproduzindo vida urbana.

                  1989 | Início do primeiro grupo de RAP feminino conhecido em Portugal – as Djamal.

                  Referências

                  1. Martins, B.S. (2019). Os Negros em Portugal, Buala, 26 de maio. https://www.buala.org/pt/a-ler/os-negros-em-portugal.
                  2. Simões, S. (2018). Fixar o (in)visível: papéis e repertórios de luta dos dois primeiros grupos de Rap femininos a gravar em Portugal, Cadernos de Arte e Antropologia 7 (1), 97-114.
                  3. Simões, S. (2017). 1990-1997, percursos da invisibilidade. As mulheres no RAP: afirmação e resistência, Le Monde Diplomatique – Edição Portuguesa, setembro. [https://www.muralsonoro.com/mural-sonoro-pt/2017/11/12/raprodues-de-memria-1990-1997-percursos-da-invisibilidade] .
                  4. Tinhorão, J.R. (1988). Os Negros em Portugal – Uma presença silenciosa. Lisboa: Editorial Caminho.
                  5. Varela, P (2020). Antirracismo e o Rap no Feminino, Mural Sonoro, Maio.
                  1990's

                  1990 | Fundação do Movimento SOS Rascismo

                  1991 – 1995 | Fernando Gomes Ka foi deputado do Partido Socialista na VI Legislatura

                  1992 | José Mussuaili torna-se o primeiro pivot negro a apresentar um telejornal na televisão portuguesa, no canal de televisão TVI

                  1993 | É promulgado o Programa Especial de Realojamento (PER)

                  1993 | Lançamento do Livro Lisboa Africana 

                  1994 | Sara Tavares vence o Chuva de Estrelas

                  1996 | É criada a Associação Batoto Yetu Portugal

                  1996 | Processo de regularização extraordinária de Imigrantes

                  1996 | Rapper Djoek lança Nada Mí N’Caten, o primeiro albúm cantado em cabo-verdiano crioulo em Portugal

                  1997 | Publicação do Livro Origens do Nacionalismo Africano: Continuidade e ruptura nos movimentos unitários emergentes da luta contra a dominação colonial portuguesa 1911-1961.

                  1998 | Encontrados os restos mortais da “Criança do Lapedo”, no Abrigo do Lagar Velho, no Vale do Lapedo (Leiria), do período Gravetense, no Paleolítico Superior, há 24.500 anos que apresentava características neandertais e de humanos modernos. 

                  1999 | Criação da Rede Anti-Racista

                  Referências

                  1. Agualusa, J., Rocha, E. & Semedo, F. (1993). Lisboa Africana. Porto: Edições ASA.
                  2. Almeida, F. et al. (2007). The Lapedo Child Reborn: Contributions of CT Scanning and Rapid Prototyping for an Upper Paleolithic Infant Burial and Face Reconstruction. The Case of Lagar Velho Interpretation Centre, Leiria, Portugal. In D. Arnold, F. Niccolucci & A.Chalmers (eds.), The 8th International Symposium on Virtual reality, Archaeology and Cultural Heritage. Short and Project Papers from VAST 2007, 69-73.
                  3. Andrade, M. P. (1997). Origens do Nacionalismo Africano: Continuidade e Ruptura nos Movimentos Unitários Emergentes da Luta contra a Dominação Colonial Portuguesa 1911-1961. Lisboa: Dom Quixote.
                  4. Duarte, C. et al. (1999). The early Upper Paleolithic human skeleton from the Abrigo do Lagar Velho (Portugal) and modern human emergence in Iberia, PNAS USA 96, 7604–7609.
                  5. Grossegesse, O. & Thorau, H.  (orgs.) (2009). À Procura da Lisboa Africana: Da Encenação do Império Ultramarino às Realidades Suburbanas. Braga: Universidade do Minho. Centro de Estudos Humanísticos.
                  6. Patrocínio, F. (2023). Há 29.000 anos… era uma vez a criança do Lapedo, National Geographic, 7 de dezembro. [https://www.nationalgeographic.pt/historia/crianca-lapedo-leiria-arqueologia-gravetense_4450]
                  7. Zilhão, J. (2005). A criança do Lapedo e as origens do homem moderno na Península Ibérica, Promontoria 3 (3), 135-172.
                  2000's

                  2005 | Yves-Jean Loude publica Lisboa, na Cidade Negra.

                  2007 | Cimeira Europa-África de Lisboa

                  2008 | A intelectual e artista portuguesa radicada na Holanda, Grada Kilomba, publica o livro Memórias da Plantação. Demoraria mais de uma década para que o livro fosse traduzido para português, pela editora Orfeu Negro.

                  2009 | Descoberta de um cemitério de pessoas escravizadas no Vale da Gafaria, em Lagos

                  Referências

                  1. Cardoso, H.F.V., et al. (2018). The Impact of Social Experiences of Physical and Structural Violence on the Growth of African Enslaved Children Recovered from Lagos, Portugal (15th-17th centuries), American Journal of Physical Anthropology 168 (1), 209–221.
                  2. Coelho, C. (2012). Uma identidade perdida no mar e reencontrada nos ossos: avaliação das afinidades populacionais de uma amostra de escravos dos séculos XV–XVI. 2012. Dissertação de Mestrado em Evolução e Biologia Humana, Universidade de Coimbra. Coimbra, Portugal.
                  3. Coelho, C. et al. (2017). Ancestry Estimation Based on Morphoscopic Traits in a Sample of African Slaves from Lagos, Portugal (15th-17th Centuries), International Journal of Osteoarchaeology 27 (2), 320–326.
                  4. Costa, A.F. (2013). Os Infantes de Lagos: um estudo de crescimento numa amostra de não-adultos do Poço dos Negros (séculos XV-XVII). Dissertação de Mestrado em Evolução e Biologia Humanas, apresentada ao Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Coimbra, Portugal.
                  5. Ferreira, M. T. et al. (2019b). Evidences of Trauma in Adult African Enslaved Individuals from Valle da Gafaria, Lagos, Portugal (15th-17th Centuries), Journal of Forensic and Legal Medicine 65, 68–75.
                  6. Ferreira, M.T. et al.  (2019a). Discarded in the Trash: Burials of African Enslaved Individuals in Valle da Gafaria, Lagos, Portugal (15th-17th Centuries), International Journal Osteoarchaeology 29 (4), 670–680.
                  7. Ferreira, M. T. et al. (2013). Lagos leprosarium (Portugal): Evidences of Disease, Journal of Archaeological Science 40 (5), 2298–2307. 
                  8. Furtado, M. (2012). A diagnose sexual de escravos africanos: estimativa sexual a partir de os coxae da colecção osteológica negróide de PAVd’09 (Valle da Gafaria, Lagos). Mestrado em Evolução Humana e Biologia, Universidade de Coimbra. Coimbra, Portugal.
                  9. Kilomba, G. (2019). Memórias da Plantação. Lisboa: Orfeu Negro. [https://www.ufrb.edu.br/ppgcom/images/MEMORIAS_DA_PLANTACAO_-_EPISODIOS_DE_RAC_1_GRADA.pdf ] 
                  10. Loude, J. (2005). Lisboa, na Cidade Negra. Lisboa: Publicações Dom Quixote.
                  11. Neves, M.J. (2015). O Caso do “Poço dos Negros” (Lagos): Da Urgência do Betão ao Conhecimento das Práticas Esclavagistas no Portugal Moderno a partir de uma Escavação de Arqueologia Preventiva, Antrope, 142-160. 
                  12. Neves, M.J. et al. (2011). História de um Arrabalde durate os séculos XV e XVI: o “Poço dos Negros” em Lagos (Portugal) e o seu contributo para o estudo dos escravos africanos em Portugal, A Herança do Infante: História, Arqueologia e Museologia em Lagos, 29-46. 
                  13. Neves, M.J. et al. (2010). Separados na vida e na morte: retrato do tratamento mortuário dado aos escravos africanos na cidade moderna de Lagos, XELB 10. Silves: Câmara Municipal de Silves, 547-560. 
                  14. Pinto, A.E. (2023). Esquecimento e Restos Humanos: O Caso do Vale da Gafaria. Dissertação de Mestrado em Património Cultural e Museologia apresentada à Faculdade de Letras. Lisboa, Portugal. 
                  15. Rodrigues, C.A. (2018). Estimativa da idade através do racio área polpar/área do dente numa amostra de esqueletos de escravos Africanos (Lagos, Portugal). Dissertação de Mestrado em Evolução e Biologia Humanas, Universidade de Coimbra. Coimbra, Portugal. 
                  16. Rufino, A.I. et al. (2017). Periapical lesions in intentionally modified teeth in a skeletal sample of enslaved Africans (Lagos, Portugal), International Journal of Osteoarchaeology 27: 288–297.
                  17. Wasterlain, S. et al. (2018). Growth Faltering in a Skeletal Sample of Enslaved Non-adult Africans Found at Lagos, Portugal (15th-17th Centuries), International Journal of Osteoarchaeology 28 (2), 162–169.

                  Wasterlain, S. et al. (2016). Dental Modifications in a Skeletal Sample of Enslaved Africans Found at Lagos (Portugal), International Journal of Osteoarchaeology 26 (4): 621–632.

                  2010's

                  2014 | Criação da Rádio AFROLIS

                  2015 | A escritora Djamila Pereira de Almeida lança o seu primeiro livro, Esse Cabelo, um romance ensaio que conta, reconhece e reflete sobre a construção da identidade das mulheres negras em Portuga e a sua relação com a geopolítica colonial. A este livro seguiram-se Lisboa, Luanda Paraíso, A Visão das Plantas e Três Histórias de Esquecimento

                  2015 | Francisca Van-Dunen torna-se a primeira mulher negra a ser Ministra da Justiça, no XXII Governo Constitucional de Portugal

                  2016.03.21 | Fundação da FEMAFRO – Associação de Mulheres Negras, Africanas e Afrodescendentes em Portugal

                  2016.05.25 | Criação da DJASS 

                  2016.12.08 | Publicação de uma Carta Aberta de Organizações Afrodescentes portuguesas dirigida ao Comité da ONU para a Eliminação da Discriminação Racial.

                  2017 | A DJASS – Associação de Afrodescendentes propõe e ganha um projeto que contempla a edificação de um Memorial em Homenagem às Pessoas Escravizadas, no âmbito do Orçamento Participativo da cidade de Lisboa. Após um processo participativo, o projeto vencedor é do artista plástico Kiluanji Kia Henda. 

                    2017 | Telma Tvon lança o livro Um preto muito português.

                    2017.04 | Marcelo Rebelo de Sousa visita a “Casa dos Escravos” na Ilha de Gorée, Senegal – um marco fundamental no tráfico de pessoas escravizadas, sob o domínio português entre os séculos XVI e XIX. Embora reconhecendo a violência inerente ao tráfico transatlântico, o então presidente da república portuguesa não pediu desculpa pelo papel dos portuguese no processo, sublinhando, pelo contrário o suposto papel pioneiro do país na abolição da escravatura, reportando-a ao ano de 1761, em que o país se limita a abolir o tráfico de pessoas escravizadas para a então metrópole, de modo a canalizar mão-de-obra para o Brasil. O tráfico só viria a ser abolido oficialmente em 1869.

                    2018.06.22 | Uma centena de intelectuais e ativistas negros publicam a carta “Não a um museu contra nós”, em contestação à proposta do então presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, da edificação de um “Museu dos Descobrimentos”. 

                    2018 | A poetisa Gisela Casimiro lança Erosão, o seu primeiro livro de poesia, ao qual se seguiriam Giz (2023) e Estendais (2023). 

                    2018.07.14 | Descoberta de um crânio de 400.000 anos na gruta da Aroeira, no complexo arqueológico da Almonda (Torres Novas) – o fóssil mais antigo descoberto em Portugal até ao momento, do período do Plistocénico Médio (entre 700 mil e 125 mil anos antes do presente). 

                    2018 | Criação do Instituto da Mulher Negra em Portugal (IMUNE)

                    2019.09 | Criação do Projeto Afrolink [https://afrolink.pt/sobre/] 

                    2019 | Eleição de três mulheres negras com deputadas da Assembleia da República Portuguesa: Beatriz Gomes Dias (Bloco de Esquerda), Joacine Katar Moreira (Livre) e Romualda Fernandes (Partido Socialista)

                      2019.07.04-09| Portugal recebe a Conferência Black Invisibilities Contested: 7th Bienal Afroeuropeans Network Conference, no ISCTE – IUL, em Lisboa.

                      2019 | Início do Programa Cidade Invisível – Antena 1 [https://www.rtp.pt/play/p6377/e438280/cidade-invisivel]

                      2019 | Criação do Podcast “O Lado Negro da Força” [https://www.facebook.com/oladonegrodaforca2019/videos]

                      2019 | Exposição “Para uma história do Movimento Negro em Portugal. 1911-1933”, por Cristina Roldão, José Augusto Pereira e Pedro Varela, Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal (ESE-IPS)

                      Referências

                      1. Afrolis et al. (2016). Carta aberta de organizações afrodescendentes portuguesas ao CERD, Museu Afrodigital: Estação Portugal, 8 dezembro.
                      2. Almeida, D.P. (2021). Três Histórias de Esquecimento. Lisboa: Relógio d’Água. 
                      3. Almeida, D.P. (2019). A Visão das Plantas. Lisboa: Relógio d’ Água.
                      4. Almeida, D.P. (2018). Luanda, Lisboa, Paraíso. Lisboa: Companhia das Letras. 
                      5. Almeida, D.P. (2015). Esse Cabelo. Lisboa: Relógio d’Água.
                      6. Amado, A. D (2018), “Não a um Museu contra Nós”, Público, 22 de junho. 
                      7. Casimiro, G. (2023). Estendais. Lisboa: Editorial Caminho.
                      8. Casimiro, G. (2023). Giz. São Paulo: Editora Urutau.
                      9. Casimiro, G. (2018). Erosão. São Paulo: Editora Urutau.
                      10. Daura, J., et al. (2017). A 400,000-year-old Acheulean assemblage associated with the Aroeira-3 human cranium (Gruta da Aroeira, Almonda karst system, Portugal). [https://doi.org/10.1016/j.crpv.2018.03.003]
                      11. Dias, B. (2018). Por um memorial de homenagem às pessoas escravizadas, Ipsilón – Público, 16 de maio [https://www.publico.pt/2018/05/16/culturaipsilon/opiniao/por-um-memorial-de-homenagem-as-pessoas-escravizadas-1829390]. 
                      12. Gorjão Henriques, J. (2019). Centenas debatem racismo e o que é ser negro na Europa “nos seus próprios termos”, Público, 3 de julho.[https://www.publico.pt/2019/07/03/sociedade/noticia/centenas-debatem-racismo-negro-europa-proprios-termos-lisboa-1878620.
                      13. Gorjão Henriques, J. (2019). Fez-se história: Parlamento terá três deputadas negras, Público, 7 de outubro.[https://www.publico.pt/2019/10/07/politica/noticia/eleicoes-historicas-elegem-tres-deputadas-negras-1889146].
                      14. Henriques, J.G. e Santos, N.F. (2020). Nasceu Afrolink, o site que dá rosto à diversidade de profissionais negros em Portugal, Público, 16 de agosto. 
                        1. Lovegrove, S. & Machaqueiro, R.R. (2024). Contesting monuments, challenging narratives: Divergent approaches to dealing with the colonial past and its legacies in Lisbon, Portugal, Journal of Historical Geography 83, 84-95.
                        2. Peralta, E. e Domingos, N. (2019). Lisbon: Reading the (Post-)Colonial City from the Nineteenth to the Twenty-First Century, Urban History 46 (2), 246-265.
                        3. RTP África (2016). Entrevista a Beatriz Dias [Djass – Associação de Afrodescendentes], Bem-Vindos, 13 de junho [https://www.youtube.com/watch?v=R83VEwVwhOI].
                        4. Tvon, T. (2017). Um preto muito português. Lisboa: Chiado Books.
                          2020's

                          2020.10 | Câmara Municipal de Lisboa inaugura uma placa na Rua Garret em homenagem a Alcindo Monteiro brutalmente assassinado por neonazis a 10 de Junho de 1995.

                          2020.10.19 | Inauguração da Exposição “Territórios da Memória: A Área Metropolitana de Lisboa pelo Olhar de Africanos e Afrodescendentes” que nasce de um conjunto de diálogos que narram as memórias de homens e mulheres que migraram pra Portugal no início do século XX. 

                          2020.12.10 | Estreia do Podcast do “Viemos para Ficar” (SOS Racismo) [https://www.sosracismo.pt/geral/viemos-para-ficar-podcast-anti-racista]

                          2021 | Reedição do Jornal O Negro, pela editora Falas Afrikanas

                          2022 | O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) criminaliza o Drill (um sub- género do trap, dentro do rap) que, à imagem do que aconteceu nos anos 90, é uma forma de criminalizar o pensamento, a palavra e a existência da juventude negra em Portugal, associando estes jovens à ascensão da criminalidade grupal. Pelo contrário, o Dril deve ser lido como um diagnóstico uma reflexão destes jovens sobre as suas vidas. 

                          2023.11.19 | Morte da cantora Sara Tavares.

                          2024.01.13 | Inauguração de uma estátua e 20 placas toponímicas que evocam a presença africana na cidade de Lisboa, promovido pela Associação Cultural e Juvenil Batoto Yetu Portugal no âmbito do Programa BIP/ZIP. 

                          Referências

                            1. Alves, A.R. e Amorim, S. (2019). Territórios da Memória: A Área Metropolitana de Lisboa pelo Olhar de Africanos e Afrodescendentes, Afrodescendência em Portugal: sociabilidades, representações e dinâmicas sociopolíticas e culturais. Um estudo na Área Metropolitana de Lisboa, Centro Cultural de Cabo Verde. [https://www.rtp.pt/play/p6591/e510182/bem-vindos]. 
                            2. Dores, M. (2020). Alcindo. SOS Racismo e Maus da Fita. 
                            3. Gabmorrisson (2022) Cova da Moura: la dernière favela d’Europe (avec Nico OG). [https://www.youtube.com/watch?v=aHaGyyzdVzE
                            4. Gabmorrisson (2022). Visite du quartier Reboleira avec Kats XRootz (Portugal). [https://www.youtube.com/watch?v=6EzgWHMaEJA].
                            5. Gabmorrisson (2022). Sucupira: le quartier abandonné du Portugal (avec Leo2745). [https://www.youtube.com/watch?v=Y4ro2uHXAjM]
                            6. Gabmorrisson (2022). Immersion à Amadora au Portugal avec PDB & RDB (Casal da Boba). [https://www.youtube.com/watch?v=kXk8l0wZDoU] 
                            7. Gabmorrisson (2022). Quinta do Mocho: Quartier chaud du Portugal (avec RDM). [https://www.youtube.com/watch?v=pQhYQrEk9Ww]
                            8. Gabmorrisson (2022). Reportage: Les quartiers de Porto (avec TZ35 & Xaxxa). [https://www.youtube.com/watch?v=6mG-JKCixtE]
                            9. Rádio TV Cidade (2021). XROOTZ fala sobre PREGO PREGO, críticas, uso di máskara, drill e más, dezembro [https://www.youtube.com/watch?v=8ThC8Ukn9ug&t=654s]
                            10. Roldão, C., Pereira, J.A. e Varela, P (org.) (2021). O Negro. Órgão de Estudantes Negros. Lisboa: Falas Afrikanas.